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Não é mais aquele

Visto durante anos como símbolo de liberdade e de status, o automóvel passa por lento desmanche de prestígio, especialmente nas grandes cidades.

CELSO MING, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2013 | 02h09

Como pode sentir-se livre e diferenciado o proprietário de um veículo que permanece engaiolado durante horas nos gigantescos congestionamentos de trânsito; que está sujeito a restrições exasperantes de circulação, como os rodízios e os corredores exclusivos de ônibus impostos pelo prefeito paulistano, Fernando Haddad; e que se sente vítima de uma indústria implacável de multas?

Ainda não apareceu quem denuncie o automóvel como causador de câncer, mas as relações com o que aconteceu com o cigarro começam a pipocar. O especialista em Sustentabilidade da consultoria Ernst & Young, Ricardo Catto, leva o assunto para o lado do marketing: "Assim como houve mudança de mentalidade em relação ao uso do tabaco, a indústria automotiva também terá que repensar seu modelo de negócio". Ele atribui o aumento do estresse ao volante e essa difusa sensação de impotência à falta de planejamento e a problemas crescentes de mobilidade (ou imobilidade) urbana. "Ser proprietário de um carro começa a ser malvisto é, até mesmo, como nocivo à sociedade."

O problema não se restringe às grandes cidades brasileiras. Nem se pode dizer que a "desmotorização" seja generalizada. "No Brasil, o sonho do automóvel como meio de transporte e de qualidade de vida continua de pé", diz Marcelo Cioffi, consultor do setor automotivo da PwC Brasil. Contribuem para isso a estrutura deficiente de transporte coletivo, o aumento de renda da população e as facilidades de acesso ao crédito.

Mas esse desmanche já é um processo em curso. Até mesmo no Brasil, grande número de jovens começa a entender que dirigir um carro atrapalha a enturmação digital, admite Cioffi. Tanto quanto é proibido atender ao celular quando se dirige um carro, também o é quando se tenta tuitar ou enviar torpedos eletrônicos nessas condições.

Nos Estados Unidos, se pudessem optar, nada menos que 30% dos jovens entre 18 e 24 anos prefeririam ter acesso à internet a possuir um carro. Só 12% dos adultos com 54 anos ou mais fariam a mesma escolha, aponta pesquisa realizada em 2012 pela consultoria Gartner. "Os mais jovens dão mais importância ao estilo de vida digital e a formas alternativas de mobilidade", reforça Thilo Koslowski, analista da Gartner.

Esse processo, no entanto, será relativamente lento e ocorrerá em ritmos diferentes em cada região do mundo. Mesmo nos Estados Unidos, a tendência de vendas de veículos é de crescimento, ao menos até 2015, avalia a consultoria Alix Partners. Os países em desenvolvimento, como Brasil, Rússia, Índia e China, deverão manter a demanda aquecida. Mas na Europa e no Japão a perspectiva é de estagnação (veja o gráfico).

Serviços de aluguel de carro por hora (car-sharing) e incentivos de empresas para caronas entre funcionários, comuns na Europa, ainda são raros no Brasil. "Cada vez mais carros são vendidos, mas não podemos construir mais ruas nas cidades", diz Ivar Bermtz, sócio da Deloitte. / COLABOROU DANIELLE VILLELA

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