Não é nenhuma maldição ser exportador de commodities

Não é nenhuma maldição ser exportador de commodities. Graças às suas reservas naturais, ao grande volume de terra disponível e aos avanços tecnológicos promovidos pela Embrapa, vender alimentos e minérios é uma vocação brasileira. E, num mundo com o de hoje, pode ser até vantagem.

Raquel Landim,

18 de setembro de 2009 | 07h40

 

É a exportação de commodities que está garantindo um superávit de US$ 28 bilhões na balança comercial do País no acumulado de 12 meses até agosto, apenas 6,5% abaixo do valor de 12 meses anteriores. Um resultado invejável para um período de turbulência global, que ajuda a equilibrar as contas externas.

 

Com os maciços investimentos governamentais, a China manteve sua economia crescendo a um ritmo de 8%. Por isso, está demandando mais commodities. Para o Brasil, é bom que neste momento suas exportações sejam complementares à demanda do país que virou o motor de crescimento da economia mundial.

 

A crise nasceu em Wall Street e secou os mercados de crédito durante um longo período. Era natural, portanto, que impactasse mais duramente os bens que mais precisam de crédito para circular no mundo: os produtos manufaturados.

 

O que é preocupante não é exportar commodities, mas estabelecer um padrão de dependência excessiva. No médio e longo prazos, depender da exportação de commodities traz dois problemas: as receitas externas do País ficam mais vulneráveis às oscilações de preços (naturais no mercado de commodities) e a produção de soja ou minério de ferro, por exemplo, cria muito menos emprego que a fabricação de carros ou eletroeletrônicos.

 

Conforme os dados mais antigos disponíveis na Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em 1964, 85% das exportações brasileiras eram de commodities. Na década de 30, por exemplo, qualquer oscilação de preço do café se transformava em uma crise para o Brasil. Com o desenvolvimento da indústria, esse jogo se inverteu no fim dos anos 70.

 

A crise virou de novo o placar pela primeira vez em 31 anos, o que é simbolicamente importante, mas a diferença ainda é de apenas 0,3 ponto porcentual a favor dos básicos.

 

O maior problema hoje é que o cenário para os exportadores de manufaturados é totalmente desfavorável. Além da demanda externa retraída e preços em queda, as indústrias têm de enfrentar o câmbio valorizado e o custo Brasil, que reduz sua competitividade.

 

Com a descoberta das imensas reservas no pré-sal, é provável que o Brasil exporte muito petróleo no futuro. Para não desequilibrar de vez a balança comercial, o ideal é fortalecer as exportações de manufaturados agora.

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