Não é preciso frear a economia, diz Augustin

Na véspera da divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que vai indicar o próximo passo do Banco Central (BC) nos juros, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, mandou ontem um recado claro à autoridade monetária: não há mais necessidade de medidas para frear a economia brasileira, que já estaria crescendo no nível adequado, sem pressões.

Adriana Fernandes, Fabio Graner / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

Augustin mostrou preocupação com o risco de a atividade econômica esfriar demais e por isso manifestou necessidade de "atenção redobrada" neste momento de acomodação.

O secretário do Tesouro não fez menção direta ao Banco Central, mas sua mensagem foi inequívoca. Afinal, neste momento, o único órgão do governo que está agindo de forma restritiva é o BC, por meio da elevação da taxa básica de juros.

De acordo com o secretário, o conjunto de medidas de política econômica, sejam fiscais ou monetárias, deve buscar a melhor equação porque a economia "não deve crescer demais nem de menos".

Augustin aproveitou a entrevista sobre o resultado das contas públicas para lembrar que o Ministério da Fazenda há tempos vem defendendo a tese de que o País não estava superaquecido e que os fatos hoje corroboram esse raciocínio. "O que nós temos dito e eu reitero hoje é que o crescimento da economia brasileira, ao contrário do que algumas análises indicavam, não é um crescimento que se aproxima de um superaquecimento, excessivo", afirmou. "Nós não estamos crescendo além do previsto, portanto nós não temos de tomar medidas que segurem a economia. Nós temos é de manter as coisas andando", acrescentou o secretário.

Augustin disse ainda ser necessário cuidado para não enfraquecer demais a economia. "(O processo de acomodação) exige uma atenção redobrada. Ou seja, não devemos deixar de estar preocupados de que a economia cresça aquilo que se espera. Crescer menos seria, na nossa opinião, bastante negativo", disse, argumentando adicionalmente que não acredita em expansão de menos de 6,5% este ano.

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