Não é preciso limitar crédito, diz membro da Fiesp

O professor do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e membro do Conselho Superior de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Antonio Corrêa de Lacerda, não acredita que o governo deva adotar medidas de restrição ao crédito, pois, em sua avaliação, não há pressão inflacionária do lado da demanda e a atual expansão do crédito é "saudável". "Não vejo necessidade de medidas para restringir o crédito", declarou.No entanto, Lacerda avaliou que "a preocupação do governo é válida no sentido de se precaver contra pressões inflacionárias" e elogiou o "convite à discussão" que o governo fez às instituições que seriam afetadas pela mudança de regras. "O governo faz bem em levantar a discussão", disse. Ele aposta que provavelmente, a administração "vai concluir que a precaução não é necessária este momento". Da mesma maneira, Lacerda acredita que o Banco Central não precisa subir os juros, já que eles já estão em níveis elevados e tal medida iria na contramão dos demais países. Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 11,25% ao ano - patamar mantido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) há quatro reuniões seguidas. Na opinião de Lacerda, a expansão do crédito é saudável e ocorre sobre uma base muito baixa. De acordo com seus dados, a relação entre crédito e Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é de 38%, contra 82,3% do Chile e 102% da Coréia do Sul. A comparação com o caso dos Estados Unidos é emblemática, já que a relação entre crédito e PIB do país mais endividado do mundo é de 195%.Segundo Lacerda, a expansão vista do crédito é fruto da conjunção do controle da inflação, a queda dos juros e o forte ingresso de capital externo, fatores que também incentivaram o crescimento do crédito em países de porte semelhante. Ainda há mais espaço para o crédito crescer, ressalta. Para Lacerda, "o Brasil tem um grande caminho a percorrer". O maior desafio do País é fazer com que a oferta fique à frente da demanda, aponta, mas ele acredita que a indústria já está se expandindo para poder fazê-lo.O professor de economia da PUC-SP vê pressões inflacionárias dos preços das matérias-primas (commodities) e combustíveis, mas acredita que elas são pontuais. "Elas não tem a ver com a demanda, são passageiras", afirmou.

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