Não é preciso subir Selic, diz Bernardo

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou ontem que o Comitê de Política Monetária (Copom) não precisa mais aumentar os juros, porque as pressões inflacionárias estariam sob controle. Anteontem, o colegiado decidiu um reajuste de 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic), para 10,75% ao ano. A decisão indicou desaceleração no ritmo de elevação de juros, após duas altas consecutivas de 0,75 pontos porcentuais.

Eduardo Rodrigues / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2010 | 00h00

"A grande preocupação do Copom é com a inflação, mas em junho ela ficou em zero e na primeira prévia de julho já está negativa", disse Bernardo. Segundo o ministro, a inflação "voltou ao controle".

Ao comentar o crescimento dos financiamentos imobiliários no País, Bernardo rechaçou a possibilidade de formação de uma bolha, semelhante à que ocorreu nos Estados Unidos no início da crise financeira internacional. Somente no primeiro semestre deste ano, a carteira de crédito habitacional da Caixa Econômica Federal registrou crescimento de 95%.

"Os analistas que falam em bolha imobiliária estão falando bobagem. A carteira de crédito imobiliário no Brasil é de menos de 3% do PIB, ao contrário dos Estados Unidos, onde chega a 60%", afirmou. "Temos espaço para crescer até 13% do PUB, sem riscos", acrescentou.

Sobre o crescimento da economia, Paulo Bernardo disse que a expansão pode chegar a 7% em 2010, apesar da previsão de alta do PIB ter sido corrigida para 6,5% no relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas da União divulgado na última terça-feira. Apesar da cautela da previsão oficial do governo, o Banco Central, por exemplo, estima um crescimento de 7,3%.

Greve. O ministro criticou a greve dos peritos do INSS, que já dura 30 dias. Para Paulo Bernardo, o movimento que reivindica aumento de salário e melhores condições de trabalho não tem justificativa. Ele lamentou a decisão do STJ que proibiu o corte do ponto dos funcionários.

"Acho que é uma greve para tirar férias. Estão sem trabalhar e ganhando salário, alguns até trabalhando em outros locais enquanto isso. Acho um absurdo completo", disse. De acordo com Bernardo, o governo não irá ceder. "Não podemos fazer negociação, estamos de mãos atadas", completou.

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