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'Não é sadismo. Resolver o problema passa pelo emprego'

Economista diz que queda da inflação depende, entre outros fatores, do aumento da taxa de desemprego no País

Entrevista com

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2013 | 02h07

O economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central (BC), é um dos analistas que têm defendido a ideia de que a taxa de desemprego precisa subir para que a inflação se reduza no País. A seguir, trechos da entrevista dele com o Estado, concedida ontem.

O sr. já declarou, em entrevistas e artigos, que o desemprego precisa subir para ajudar a inflação a cair. Por quê?

Minha posição está relacionada ao diagnóstico do porquê a inflação está alta. Embora haja um discurso de que a questão de fundo é um choque de oferta, os dados não embasam esse diagnóstico. Não é a inflação do tomate, a do pepino, a do chuchu, a do feijão etc. A inflação é um fenômeno disseminado, que reflete o fato de que os salários vêm crescendo mais do que a produtividade. Ou seja, trata-se de um fenômeno inflacionário absolutamente padrão. Resulta de um mercado de trabalho excessivamente aquecido, de uma taxa de desemprego muito baixa. Para combater a inflação, será preciso desafogar o mercado de trabalho. E isso demanda uma taxa de desemprego mais alta do que hoje. Mas eu não acredito que algo será feito.

Então o sr. não acredita que o Banco Central elevará a taxa básica de juros semana que vem?

Eu acho que o BC vai mexer, inclusive agora em abril. Só acho que não farão o suficiente para debelar o processo inflacionário. Vão fazer uma alta modesta da taxa de juros, no máximo 1,5 ponto porcentual.

Qual seria a alta necessária?

Estamos falando de alguma coisa como 4 pontos porcentuais para começar o jogo.

Qual sua estimativa para o nível da taxa de desemprego para que houvesse a redução?

Nas condições atuais, eu diria que a taxa de desemprego deveria ir para algo como 7% ou 7,5%. Mas friso: isso depende das expectativas de inflação.

Nesse debate, às vezes parece que analistas com a sua posição são sádicos por defenderem mais desemprego.

Não é questão de sadismo. Cedo ou tarde, a questão vai se traduzir em perda de emprego. Não é que estejamos defendendo o desemprego. Estamos defendendo o mínimo de desemprego a partir do momento em que a inflação saiu do controle. Quanto mais adiar, pior fica. Se formos lidar com o problema só em 2015, sairá muito mais caro. Sei que é um tema que será politizado. Sei que vou apanhar. Mas não muda o viés econômico. Se quiser resolver o problema, vai ter de passar por aí.

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