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Não é somente a solidez do banco que reduz riscos

Viver de investimentos é possível, mas é preciso manter uma carteira diversificada

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2019 | 04h00

Muita gente fala em investir na Bolsa. Dá para viver investindo em ações, por exemplo, boas pagadoras de dividendos?

Viver de investimentos é possível, mas é preciso manter uma carteira de investimentos diversificada. Uma carteira somente com ações tem alto grau de risco, mesmo com ações de empresas boas pagadoras de dividendos. Os bilionários conseguem manter carteiras de risco e viver folgadamente, mas esse não é o caso da maioria das pessoas. Os investimentos devem ser diversificados em termos de classes de ativos para reduzir riscos e atender o investidor em termos de liquidez e de periodicidade de rendimentos. Investir em ações boas pagadoras de dividendos é uma boa alternativa e pode trazer liberdade financeira, mas montar essa carteira exige cuidado e estudo das empresas, sempre com visão de longo prazo. A B3, a Bolsa de São Paulo, mantém um índice o Índice de Dividendos (IDIV), que apresenta o desempenho médio das cotações dos ativos que se destacaram na remuneração dos investidores. Porém, há ações com boas perspectivas de remuneração que não fazem parte desse índice. Apenas para comparação, o IDIV subiu em 2019 mais de 25% e nos últimos 12 meses mais de 54%, ao passo que o Ibovespa no ano subiu acima de 16% e em 12 meses mais de 37%. Mas considere que o IDIV é um indicador que busca refletir não apenas as variações nos preços dos ativos integrantes do índice no tempo, mas também o impacto que a distribuição de proventos pelas companhias emissoras desses ativos teria no retorno do índice.

Não tenho muito dinheiro e mantenho investimentos no meu banco, porque é um dos maiores do mercado e me sinto mais seguro. Estou certo de agir assim?

Caso você esteja satisfeito com o rendimento oferecido pelo seu banco, pode-se dizer que está certo. Você não está sozinho: mais de 95% dos investidores aplicam nos grandes bancos. Mas isso não quer dizer que estão ganhando dinheiro. A maioria age assim por desconhecimento e comodismo. Ainda somos muito ligados ao nosso amigo gerente, mas o cafezinho da agência deve ser o mais caro que você já tomou, considerando as tarifas pagas e a falta de rendimento de suas aplicações. Obviamente há excelentes profissionais no mercado, que são gestores de nossas contas e podem ajudar efetivamente, mas é preciso distinguir o joio do trigo, porque há aqueles que sempre estão empurrando “ótimos investimentos” como títulos de capitalização, consórcios, seguros ou aplicações que não têm nada a ver com a sua carteira e ainda têm taxas altíssimas. Em geral é apresentando o lado do retorno, sem citar o risco, os custos e detalhes importantes de que você somente tomará conhecimento quando vir que o resultado não bate com o prometido. Um argumento muito usado é o da segurança oferecida pelas grandes instituições, o que é verdade, em parte. Não é somente a solidez do banco que reduz risco: nas aplicações de renda fixa como CDB, letras de câmbio, letras imobiliárias e hipotecárias, letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA), além da caderneta de poupança há a garantia de até R$250 mil por CPF oferecida pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Por outro lado, novas instituições, como as fintechs, mantêm operações com baixo custo e podem oferecer investimentos com excelentes retornos sem comprometer o risco. É importante comparar as alternativas. Com o devido cuidado você poderá ficar surpreso com as oportunidades de bons investimentos.

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