André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Não entendo como Lava Jato pode impactar negativamente o PIB, afirma Janot

Procurador-geral da República rejeita a ideia de que a investigação que apura o esquema de corrupção na Petrobrás tenha prejudicado o desempenho da economia brasileira

Gabriela Lara, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 18h24

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, voltou a defender a Operação Lava Jato e a rejeitar a ideia de que a investigação tenha prejudicado o desempenho da economia brasileira. "Eu li um comentário não sei se nesta ou na semana passada de que esta operação em curso teve um impacto negativo de 2,2 pontos porcentuais no PIB brasileiro. Não consigo entender, confesso minha limitada inteligência, como uma investigação que apura um sistema de corrupção pode impactar negativamente o PIB brasileiro. Ao contrário, o que impactou negativamente foi exatamente este esquema de corrupção", afirmou nesta sexta-feira durante discurso na inauguração do novo prédio da Procuradoria da República da 4ª Região, na capital gaúcha.

Nesta manhã, o IBGE informou que o Produto Interno Bruto brasileiro teve uma contração de 1,9% no segundo trimestre em relação ao primeiro. De acordo com o instituto, a área da construção civil recuou 8,4% na mesma base de comparação. Na entrevista coletiva concedida para explicar os números, os técnicos do IBGE relacionaram o comportamento fraco do segmento de construção à operação Lava Jato.

Janot não citou o resultado do PIB divulgado nesta sexta-feira. Ao mencionar o prédio que estava sendo inaugurado em Porto Alegre (que teve investimento de R$ 55,3 milhões em valores atuais), disse que o empreendimento era um sinal de que não se pode ter uma visão pessimista da atividade da construção civil - um dos setores investigados pela Lava Jato. "Este prédio não teve preço superfaturado, não teve corrupção", falou.

Segundo o procurador-geral, o edifício é uma prova de que a construção civil é uma atividade lícita que pode ser feita sem corrupção no Brasil. "Temos atividades lícitas, empregos que são gerados de forma honesta e temos que prestigiar o lado bom da sociedade brasileira e não se deixar contaminar pelo pequeno lado ruim da sociedade brasileira."

O procurador-geral, que foi reconduzido ao cargo após passar por sabatina no Senado na última quarta-feira, também disse que o País "vive uma crise" e está diante de um "descomunal" caso de corrupção. "Pela primeira vez enfrentamos corruptos e corruptas, enfrentamos o poder econômico e o poder político no exercício do poder. Isso não é fácil", afirmou, complementando que é preciso aprender em momentos de crise.

Segundo Janot, a cada dia que passa as instituições brasileiras se fortalecem e a sociedade brasileira se mostra mais madura. "As instituições dialogam e cada uma faz seu papel de uma forma até então inédita", disse. O procurador-geral avaliou que a mensagem que o Brasil está passando a outras nações é positiva, pois mostra maturidade institucional e segurança jurídica, o que é um "atrativo de investimento externo".

Quando chegou ao prédio da Procuradoria da República da 4ª Região, Janot foi recebido por dezenas de servidores do Judiciário e do Ministério Público Federal que protestavam pedindo reajuste salarial para a categoria. Eles mantiveram a manifestação, com faixas e apitos, durante boa parte do tempo em que o procurador esteve no interior do edifício.

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