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Não espere que o dólar caia justo na sua viagem

O recomendado é acompanhar constantemente a cotação e, quando o câmbio cair, comprar certo montante

Fábio Gallo, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2019 | 05h00

Vou fazer uma viagem internacional no final do ano e vi que o dólar voltou a subir na semana passada. Como fazer para fugir dessas altas do câmbio na hora de comprar o dinheiro que vou levar?

O melhor procedimento é buscar uma forma de proteção, o que o mercado chama de hedge cambial. Em termos mais simples, significa comprar dólar ou aplicar em algo que acompanhe a variação cambial. O fato é que o dólar está apresentando grande volatilidade. Mesmo com a queda da inflação, dos juros e até do índice de risco país, ainda temos os conflitos internos e os internacionais, o resultado é que o dólar está se mantendo acima de R$ 4,00. O recomendado é acompanhar constantemente a cotação e, quando o câmbio cair, comprar certo montante. Siga nesse procedimento até obter todo o valor planejado para a sua viagem. A projeção para o dólar até o final do ano, segundo o relatório Focus, do Banco Central, é a moeda norte-americana estar nesse patamar atual. Alternativamente, você pode aplicar em fundos cambiais ou comprar minicontratos de dólar na Bolsa de Valores. Mas tenha o cuidado de antes de qualquer passo comparar os custos de cada tipo de investimento. Compare também o custo de comprar moeda física ou optar pelo cartão pré-pago de viagem. No geral, esses cartões são bem aceitos no exterior, mas caso você vá viajar para algum lugar mais exótico verifique como é aceitação desse meio de pagamento no local. A dica é planejar muito bem a sua viagem, prevendo todos os gastos, incluindo com gorjetas. De qualquer forma, a pior alternativa é não fazer nada e acreditar que o dólar vai cair justo quando você precisar dele. 

Tenho duas filhas e minha única poupança é uma previdência privada VGBL. Vale a pena continuar nesse investimento ou seria melhor sacar o dinheiro e começar a comprar ações que pagam bons dividendos?

Mantenha o VGBL e não coloque mais recursos nesse plano. Sua melhor alternativa no momento é verificar o desempenho de seu VGBL e realizar uma comparação com planos equivalentes disponíveis no mercado. Caso encontre uma alternativa que traga melhores resultados, use da portabilidade para transferir o saldo. Os planos de previdência no Brasil são caros e, com a queda de juros, estão rendendo pouco – na semana passada, o Banco Central cortou a Selic, a taxa básica de juros, para 5,5% ao ano, o menor patamar da história. No entanto, sacar os recursos, significará arcar com o imposto de imediato e isso vai provocar uma grande perda do saldo. Vai ser extremamente difícil encontrar uma aplicação que renda o suficiente para compensar essa perda. O mais indicado, portanto, é manter o plano atual e começar a fazer novos investimentos em outros ativos financeiros. Mesmo em tempos bicudos como os atuais, procure organizar seu orçamento familiar e gerar economias que possam ser investidas. Criar uma carteira de ações boas pagadoras de dividendos é uma boa ideia – os dividendos são parte do lucro das empresas distribuído periodicamente aos acionistas. Mas considere que sair de um investimento com nível de risco muito baixo, como o plano de previdência privada, e partir diretamente para uma carteira de ações requer aceitar alto risco e isso não é para todos os perfis de investidores. Antes de qualquer coisa, você deve refazer seu planejamento financeiro, estabelecer seus objetivos e, na sequência, determinar como poderá compor a sua carteira de investimentos. 

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