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Não esperem muito da reunião do G-20, diz Lula

Na Itália, presidente diz que reunião de líderes mundiais em Washington no final de semana é apenas o começo

Leonencio Nossa, da Agência Estado,

11 de novembro de 2008 | 11h26

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, 11, que as pessoas não devem esperar muito da reunião do G-20 em Washington, no próximo final de semana. "Não temos ainda um diagnóstico da crise e não espere muito dessa reunião do G-20 em Washington. Ela é o começo, um começo promissor", disse.   Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise    Lula disse que ainda não é possível fazer conclusões sobre os efeitos da crise. "Essa crise ainda não nos permite conhecer todos os males que vem causar à humanidade", afirmou. "A cada dia aparece uma novidade. A cada dia aparece um buraco", completou.   Presidente visita o Monumento ao Soldado Desconhecido, em Roma. Crédito: Mario de Renzis/EFE   O presidente fez um apelo para que outros governantes hajam rapidamente para a recuperação do sistema financeiro. "Precisamos de crédito para irrigar a economia", disse. Ele lembrou ainda da crise de alimentos, do aquecimento global e da falta de energia no mundo.   Num auditório lotado, com capacidade para 1.200 pessoas, Lula disse que os sindicalistas de todo o mundo precisam se unir e apresentar soluções para a crise. "O capital especulativo andava sem passaporte no mundo inteiro e agora os pobres do mundo estão sendo perseguidos nos países ricos", disse o presidente ao defender maior presença dos países em desenvolvimento nos fóruns internacionais de discussão sobre a crise. "Se cada país (desenvolvido) parar com a política de investimento nos países pobres, aí a crise pode virar um caos", disse.   Lula voltou a defender a retomada das negociações da Rodada Doha. Ele disse que a Rodada Doha, no atual momento, é uma das alternativas para a solução da crise.   Presidente Lula durante viagem à Itália. Crédito: Max Rossi/ Reuters   Brasil   O presidente disse que a situação do Brasil é "razoável", diante da crise financeira internacional. Ele destacou que está fazendo todo esforço para que a crise não atinja os pobres, mas admite que essa é uma tarefa difícil, porque num primeiro momento existe a "crise do medo", que faz o empresário não investir, o banco não emprestar e o trabalhador não comprar, diante do risco do desemprego. "Quando nós chegarmos a essa realidade,começa a crise real", afirmou. Ele garantiu, porém, que o governo brasileiro continuará investindo. "No Brasil nós temos obras de infra-estrutura, no valor de R$ 210 bilhões e não vamos parar nenhuma obra, pois achamos é o momento do mercado interno", afirmou.   Lula reafirmou o discurso que fez em Foz do Iguaçu, de que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama precisa resolver a crise financeira no prazo de um ano, para evitar problemas políticos. "Acho que, inteligente como ele é, sabe que se a crise não for debelada logo, um ano depois ficará na responsabilidade dele", afirmou o presidente sob demorados aplausos de uma platéia de aproximadamente 1.200 sindicalistas.   Ele voltou a criticar as agências de risco. "Até agora não vi nenhuma agência medir o risco dos Estados Unidos. É como se apenas os países pobres pudessem oferecer riscos a investidores internacionais", afirmou. Ainda no discurso, boa parte de improviso, Lula perguntou à platéia se o Brasil oferecia risco aos investidores italianos. "O único risco é de eles ganharem mais dinheiro que ganham na Itália". Ele também foi muito aplaudido no momento em que comentava a "irresponsabilidade" de parte do mercado financeiro. "Não sou economista, sou torneiro mecânico, mas por ter sido sindicalista fui obrigado a fazer vários encontros com empresários e como todo sindicalista que falou aqui, eu também digo que entendo de economia", afirmou.   Lula disse que a vantagem de ter perdido três eleições à Presidência da República, permitiu que viajasse muito pelo mundo e conhecesse "um bando de jovens yuppies" dando palpites. "Essa gente deu tanto palpite para os países pobres, que esqueceram de sua própria situação e quebraram".   Ele se referiu também a uma parcela dos analistas que nos últimos 30 anos dizia que o Estado era inútil e que só o mercado tinha condições de regular, não apenas a economia como as políticas sociais. "Qual a minha surpresa, quando o chamado mercado entrou em crise, a primeira instância que eles lembraram foi o Estado, que haviam negado o tempo inteiro".   Num contexto mais geral, o presidente Lula avaliou que o mundo vive um momento dramático diante da crise financeira internacional. "A crise que chegou no setor financeiro já afeta a economia real atingindo trabalhadores, com o corte de salário e emprego".

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