Valeria Gonçalvez/ Estadão
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'Não estamos conseguindo transmitir confiança ao mercado', diz presidente do Itaú Unibanco

Executivo disse que a perspectiva de um "entendimento pobre" entre os poderes executivo e legislativo cria incerteza em relação ao futuro do País

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2020 | 12h35

O presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, afirmou que o Brasil  não está conseguindo transmitir confiança aos mercados. "A taxa de juros futura estava em 8%. É muito elevada. Isso decorre naturalmente um pouco das incertezas naturais da crise, mas que são agravadas pela crise política que nós temos", avaliou Bracher, em live promovida pelo jornal Valor Econômico, na manhã desta terça-feira, 19. 

O executivo disse que a perspectiva de um "entendimento pobre" entre os poderes executivo e legislativo cria incerteza em relação ao futuro do País. "Essas incertezas se somam às incertezas já naturais do próprio processo da crise de saúde que nós vivemos", avaliou.

Para ele, "seria de todo desejável" uma maior coesão entre os poderes executivo e legislativo. Em relação às divergências entre as decisões do governo e dos Estados, o presidente do Itaú defendeu a necessidade de uma orientação única para a população. "É conveniente e necessária. Atrapalha a população ter orientações divergentes do que deve ser feito (na crise)", destacou.

Bracher afirmou ainda que todos vão terminar a crise atual "mais endividados" e é por isso que será muito importante que as taxas de juros do País sejam mantidas em um patamar baixo. "Estamos hoje com juros de 3,0% ao ano e as taxas devem cair mais até 2,0% ao ano. Mas será muito importante que elas possam ficar nesse patamar por muito tempo após a crise porque isso que permitirá a recuperação saudável da economia", avaliou.

Para que a taxa de juros fique nesse nível após a crise, enfatizou, o País terá de passar ao mercado confiança de que haverá equilíbrio fiscal e não haverá crescimento da dívida pública sobre o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. "Nesse sentido, é muito importante que a gente tenha certa harmonia de gestão", reforçou, acrescentando que o Brasil não tem conseguido passar essa "confiança" aos mercados. 

Crédito. Em relação às medidas tomadas pelos bancos frente necessidade de mais crédito, em funççao da pandemia, Bracher afirmou que não é possível crescer a oferta na mesma proporção do aumento da demanda. Ele afirmou que, ainda assim, os bancos elevaram a concessão do crédito corporativo em 81% nos meses de março e abril em relação ao mesmo período de 2019.

“A demanda cresceu muito mais que isso. Como empresas pararam de faturar ou tiveram seu faturamento reduzido, tiveram necessidade de recorrer a um financiamento adicional. Mas não se consegue crescer oferta junto com a demanda. Existem pré-condições para conceder crédito”, explicou Bracher.

 Dentre as condições, ele citou questões de liquidez e de risco. Lembrou que, diante do aumento do risco na crise, os bancos passaram a atuar em conjunto com o governo brasileiro que, na sua visão, tem sido “pró-ativo”.

Sobre eventuais novas ações por parte do governo, Bracher citou a ampliação do grupo de empresas elegíveis à folha de financiamento de salários, medida que está em estudo e para ser anunciada. Segundo ele, é necessário elevar o teto do faturamento desses grupos, que vai de R$ 360 mil a R$ 10 milhões ao ano, para R$ 30 milhões e até R$ 50 milhões para poder abranger um maior grupo de empresas.

 Bracher também citou estudos para refinanciar parcelas do crédito imobiliário já quitadas. De acordo com ele, essa possibilidade está sendo debatida e em “estágio avançada”. “É um crédito barato uma vez que seguirá os mesmos juros da contratação e também seguro para o banco sob a ótica da garantia”, explicou.

Congresso. Sobre as medidas em discussão no Congresso, que formam uma "pauta bomba" contra os bancos, o presidente do Itaú afirmou que têm boas intenções sob a ótica dos tomadores de crédito, mas podem respingar na oferta de empréstimos e fragilizar o sistema financeiro.

 Ele também criticou a possibilidade de aumento de impostos, por meio da elevação da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), para o setor financeiro uma vez que nenhum país seguiu esse caminho, que inclusive vai na contramão do estímulo à economia. "Essas medidas para conceder crédito abaixo da remuneração adequada ao risco pode trazer duas consequências: uma o crédito desaparecer e outra fragilizar o balanço dos bancos, o sistema bancário."

 Um sistema financeiro fragilizado, destacou, passa a ser uma ‘ameaça’ para aqueles que possuem recursos depositados nos bancos uma vez que essas instituições correm o risco de não conseguirem honrarem os depósitos que lhe foram confiados. "Temos crise de saúde, econômica e política. Certamente não precisamos de uma crise no sistema financeiro", enfatizou o presidente do Itaú.

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