''Não estava preparada para a crise''

"Dias melhores virão"! Para a cozinheira Iranilda Ishibashi, 35 anos, o otimismo é uma certeza. Há cerca de um ano, ela teve de encerrar as atividades do buffet que montou em Gifu. "Perdi muitos clientes, não estava preparada para enfrentar a crise, e não achei correto reduzir preço e qualidade para enfrentar a concorrência. Assim, tive de fechar o negócio", lembra Iranilda.

, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2010 | 00h00

Nesse período, o emprego do marido sustentou as despesas e Iranilda tratou de aprender em cursos como vender mais e melhor. Fez treinamento, teve noções de contabilidade e administração e passou a dominar ferramentas de informática.

Feito o dever de casa, ela agora pensa em reabrir o negócio. Diz que os clientes voltaram a procurar o buffet e que o volume de pedidos - que já atende, informalmente - justifica a reabertura da empresa.

Assim como o buffet de Iranilda, dezenas de empresas brasileiras no Japão, de diferentes segmentos, tiveram de fechar as portas. Entre elas, supermercados brasileiros, que vendiam produtos importados do Brasil, faliram e tiveram de vender como sucata móveis e equipamentos.

Redes de lojas que tinham até dez filiais encerraram atividades de metade dos estabelecimentos. Empresas prestadoras de serviço para a comunidade migrante mudaram o foco de trabalho, ou sumiram do mercado. Tudo porque cerca de 70 mil brasileiros fizeram o caminho de volta ao Brasil, e porque quem ficou passou a controlar melhor os gastos.

Bons negócios. Mas há também empreendedores que, mesmo em tempos difíceis, se firmaram no mercado e expandiram negócios. Um deles, Roberto Martins, 47 anos, dono de três supermercados de produtos brasileiros em Gifu, Mie e Aichi, conta que uma estratégia para se manter no mercado foi lançar mão de constante redução de preços, em promoções periódicas.

"Diminuímos a margem de lucro, partimos para a produção de produtos originais e exclusivos e estabelecemos as vendas online pelo site da empresa", afirma o empresário. Entre os "originais", ele fabrica o torresmo de toucinho, embutidos e defumados, e a linha de doces e bolos em uma cozinha industrial montada especialmente com o propósito de abastecer a rede de lojas Bell Mart.

Márcia Takahashi, 25 anos, faz parte de um rol de jovens empresários que expandiram negócios no Japão nos últimos dois anos. Quando a economia nipônica indicava índices críticos em 2008, ela abriu uma loja de roupas destinada ao consumidor brasileiro. Com produtos diferenciados, de grifes importadas do Brasil, ela fez o negócio prosperar e em pouco tempo abriu duas filiais da loja, em Aichi e Shizuoka, e prepara inauguração de um terceiro estabelecimento na cidade de Suzuka, em Mie, em meados de outubro.

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