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'Não faço nada que minha consciência não diga para fazer'

Um dia após ter sido exonerado do cargo de subsecretário de Fiscalização da Receita Federal, o auditor Caio Marcos Cândido foi ontem ao Ministério da Fazenda despedir-se dos colegas. Ele virou pivô da crise entre o governo e a Receita, por haver enviado correspondência interna na qual se queixava de influências externas no órgão. Sob seu comando, a área de fiscalização da Receita centrou fogo nas grandes empresas, com multas e cobranças bilionárias. Nos dois últimos anos, o foco foram as técnicas de planejamento tributário. Ele teve a seguinte conversa com o Estado:

Entrevista com

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2013 | 02h05

Para onde o sr. vai?

Estou indo embora. Vou para Goiânia. Vou ficar quatro meses fora. Estou numa situação tranquila. Vou tomar água de coco.

Por que o sr. está saindo?

Eu não vou falar.

Por quê?

Minha consciência está vendo. Eu não faço nada que a minha consciência não diga para fazer. Se eu achar que não é para fazer, eu não faço nada. A minha consciência me diz para não falar. Eu não tomo decisão pelos outros. Eu tomo decisão pelo Caio.

Mas o sr. enviou um e-mail que expôs seu descontentamento.

Eu enviei o e-mail para os caras que trabalham para mim.

Foi então uma decisão de arroubo?

Eu estou tranquilo com todas as decisões que tomo. Eu tomo sempre decisões muito bem pensadas. Arroubo? Não foi de arroubo. Eu tenho 49 anos. Eu tenho 22 de anos de Receita Federal. Como é eu vou tomar decisão de arroubo? Saí por questões familiares.

Mas não é isso que está no seu e-mail.

Eu não mandei e-mail para fora da Receita.

Essa decisão tem a ver com os parcelamentos de dívidas, os Refis?

Eu não tomei decisões por conta disso. Eu tomei por questões particulares.

Que questões são essas?

Quer saber? Minha esposa morava comigo até janeiro e voltou para Vitória.

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