?Não faço projeções, mas vai cair?, diz Lula sobre juros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, durante jantar com jornalistas, que está confiante e que não há o que discutir sobre o crescimento da economia. "Não há nada no nosso horizonte que indique que não vamos crescer isso (3,5% ou 4%)", afirmou. "Este vai ser um ano bom, tenho certeza". Ele voltou a falar sobre a redução das taxas de juros. "A taxa de juros vai continuar caindo. Não sei em quanto nem para quanto. Não faço projeções, mas vai cair", garantiu. "Estamos hoje com a taxa mais baixa dos últimos dez anos.". Para Lula, a manutenção da atual política econômica é um compromisso do governo que independe de fatores externos políticos, como as eleições municipais, e de resultados na economia. ?Reduzir o superávit primário de 4,25% do PIB, como defendem setores do PT, não significa que os investimentos serão ampliados?, disse ele. "O superávit é o necessário para manter a credibilidade do País e para pagar um terço dos juros da dívida", afirmou. "Reduzir um pouco o superávit não significará que teremos investimentos expressivos. Tenho que dizer ao meu credor que tenho condições de pagar pelo menos uma parte do que devo". O presidente reafirmou sua "total confiança" no ministro da Fazenda, Antônio Palocci. "Palocci é o responsável pela condução da economia", assegurou. Questionado sobre uma tese corrente em setores do governo de que, se a economia não crescer este ano entre 3,5% e 4%, será inevitável um debate sobre mudanças nos rumos da economia, o presidente foi enfático: "Eu não sei o que é isso. Mudar o quê? Não tenho plano B, não tem o que mudar. O que precisamos é manter o País com credibi lidade, aqui e lá fora". O presidente disse que o País só pode gastar o que tem. Ao comentar o contingenciamento de R$ 6 bilhões no Orçamento da União deste ano, o presidente afirmou: "Isso é muito claro. Não podemos gastar o que não temos". Repetindo o discurso que prevalece no governo, Lula disse que os recursos do orçamento serão liberados se forem confirmadas todas as previsões de aumento de receitas.Ao ser perguntado sobre resistências de setores do governo ao trabalho do secretário do Tesouro, Joaquim Levy, Lula disse que o secretário é funcionário da equipe comandada pelo ministro Antonio Palocci. "Delego confiança a quem escolho como ministro e segundo escalão é responsabilidade do primeiro (ministro). Para tentar amenizar as cobranças e críticas que pesam sobre o secretário do Tesouro, especialmente sobre o controle que exerce no caixa do governo, Lula disse: "Levy é um santo perto do meu amigo Sadao". Sadao Higuchi, que morreu em 1998, foi tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC quando Lula foi seu presidente, e era apontado por todos como o mais ?mão-fechada?.

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