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''Não foi o fim do mundo que se prenunciava em dezembro''

Reação global de governos impede crise pior; papel da China se torna vital para retomada

Fernando Dantas, O Estadao de S.Paulo

29 de agosto de 2009 | 00h00

A crise global não foi tão ruim quanto parecia no pior momento, entre o fim do último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. "Não foi o fim do mundo que se prenunciava em janeiro e dezembro, porque a reação dos governos foi do tamanho da crise", diz Edmar Bacha, consultor sênior do Itaú BBA, comentando os maciços pacotes fiscais e a política monetária expansionista convencional (corte de juros) e não convencional (injeção de dinheiro na economia pela compra de títulos em poder do mercado) das principais economias do mundo.Hoje, mesmo um observador relativamente pessimista, como Kenneth Rogoff, de Harvard, prevê que o mundo deve se estabilizar num crescimento em torno 4%, menos que o ritmo próximo de 5% dos anos anteriores à crise, mas já claramente fora da recessão. Ele ressalva que a atual recuperação "não é normal, com o sistema todo na UTI, o sistema bancário bancado pelo governo, e o mercado residencial se estabilizando apenas por causa dos grandes subsídios às hipotecas."Barry Eichengreen, da Universidade Berkeley, é outro que mostra ceticismo quanto ao vigor da recuperação mundial. "A mudança mais importante na economia pós-crise é o grande endividamento nos países industriais avançados, que tornará as finanças públicas restritivas, criando um ambiente inamistoso para o investimento, e que não é bom para o crescimento." Ele se refere à necessidade que os governos dos países ricos terão de aumentar impostos e cortar gastos para contrabalançar o enorme crescimento da dívida pública na esteira dos grandes déficits fiscais da política contracíclica.Um ponto crucial para sustentar a recuperação global é a capacidade da China de insuflar a demanda global. Para Rogoff, "a mudança número um do mundo pós-crise é que o consumidor americano, o combustível da economia mundial no último quarto de século, provavelmente será menos energético nos próximos cinco a dez anos." A grande questão, hoje, é saber se o recuo do superendividado consumidor americano pode ser compensado pelo avanço do consumo na China e em outros países emergentes asiáticos, e até no Brasil. Para Rogoff, "a demanda dos mercados emergentes vai substituir a dos EUA, mas isso não acontecerá de um dia para o outro." Essa mudança, ele continua, exige uma grande reestruturação da economia chinesa, que ainda está voltada para as exportações, e não para expandir o consumo interno.Jim O?Neill, do Goldman Sachs, discorda: "Essa crise talvez tenha sido necessária, porque forçou a China a fazer uma transição para o crescimento puxada pela demanda interna. Isso era exatamente o que o mundo precisava para evitar a crise, e é o que mundo precisa para sair da crise."Para O?Neill, os dados da expansão de consumo da China são muito claros. As vendas de varejo saltaram 15,2% em julho e, nos últimos dois anos, convertidas em dólares, apresentam um avanço maior do que o recuo no consumo americano. Em relação ao setor externo, o economista inglês diz que tentou apostar recentemente, com membros da equipe econômica do governo britânico, que a China terá déficit comercial nos próximos dois anos. "Mas agora nós achamos que é possível que isso aconteça nos próximos 12 meses. Desde abril, o crescimento das importações chinesas é muito mais forte que o das exportações."

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