''Não frustre seu sonho com medo do futuro''

Em pronunciamento, Lula pede que a população consuma e prevê expansão econômica de 4% no País

Luciana Nunes Leal e Jacqueline Farid, O Estadao de S.Paulo

22 de dezembro de 2008 | 00h00

Em pronunciamento de fim de ano, que foi ao ar ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recomendou que o cidadão consuma "com responsabilidade". "Se você está com dívidas, procure antes equilibrar seu orçamento. Mas, se tem dinheiro no bolso ou recebeu o 13.º e está querendo comprar uma geladeira, um fogão ou trocar de carro, não frustre seu sonho com medo do futuro", sugeriu. Lula fez um balanço dos avanços da economia, dos programas sociais e das medidas anticrise. O presidente culpou "a falta de controle do sistema financeiro dos países ricos" pela crise que atinge principalmente os Estados Unidos e a Europa. "Em vez de cumprirem seu papel na economia, financiando o setor produtivo, os bancos viraram um grande cassino. A jogatina foi longe, mas um dia a conta chegou. Bancos quebraram, um grande número de empresas entrou em dificuldades e milhões de trabalhadores perderam as casas ou os empregos."Lula voltou a garantir que o Brasil não será tão afetado pela crise como os países mais desenvolvidos. Disse, também, que o governo acompanha "com lupa" a situação da economia e não deixará de tomar as medidas necessárias contra a crise. "O que tiver que ser feito será feito, no tempo certo e na dose adequada, e sempre dialogando com o País", afirmou.Ele reconheceu que o País poderia "ir mais longe" se não houvesse a crise, mas, ainda assim, apostou no crescimento contínuo. Citou o controle da inflação, a diminuição da dívida pública, a geração de empregos e disse que viajou como "um mascate" para ampliar as relações comerciais do Brasil.O presidente garantiu que não haverá cortes nos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e nos programas sociais. "Em hipótese alguma haverá cortes nos investimentos governamentais porque eles são decisivos para o Brasil enfrentar a crise e sair dela mais reforçado."Lula encerrou a mensagem lembrando os planos de exploração de petróleo nas reservas do pré-sal, a partir de 2009, e pregou a união dos brasileiros contra a crise. "Se remarmos juntos, na mesma direção, venceremos as turbulências e prosseguiremos na rota do crescimento."DIFERENÇASLula e o Banco Central (BC) divergem na expectativa para a expansão da economia em 2009. O BC divulgou relatório ontem com projeção de 3,2%. "O Brasil vai continuar crescendo, naturalmente não 6% ou 7%, como eu gostaria, mas podemos crescer 4% e o governo vai trabalhar com essa perspectiva", disse Lula, no encontro empresarial Brasil-União Européia, ao lado do presidente francês, Nicolas Sarkozy.O presidente do BC, Henrique Meirelles, também no evento, frisou que a expansão de 4% é um "objetivo" do governo, não uma projeção. "Nossa expectativa é que o Brasil cresça acima da média mundial já em 2009."

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