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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

‘Não há bola de cristal para saber se a Bolsa já chegou ao seu mínimo', diz executiva

Superintendente executiva de investimentos do Santander diz que investidor tem de tomar cuidado para não transformar uma perda passageira em uma perda permanente

Entrevista com

Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2020 | 17h07

O sangue frio dos investidores nunca foi tão importante como nas últimas semanas. Além disso, o pânico no mercado pode ter servido como um teste para saber se o perfil de risco foi respeitado na hora de montar a carteira de ativos. Para a superintendente de investimentos do Santander Luciane Effting, quem investiu respeitando o apetite de risco, sofre com as perdas, mas não entra em desespero e consegue esperar a volatilidade passar.  “A gente recomenda que se mantenham nos fundos, porque essa crise é passageira. Ela tem começo, tem meio e tem fim. Não sabemos se isso será em dois ou quatro meses. Talvez a recuperação também seja mais lenta do que a gente imaginou. Mas ela vai passar e esses investimentos vão retomar”, diz.

Ela conta que nas últimas semanas a demanda dos clientes por informação aumentou. “Eles querem saber se é o momento de resgatar, sacar, se é momento de investir, entrar ou sair da Bolsa”, diz. Para isso, a assessoria de investimentos do banco - que não foi colocada em home office - intensificou o envio de análises e a produção de transmissões ao vivo para atender às demandas de explicações sobre o cenário atual. A seguir, os principais trechos da entrevista:

O que mudou nas sugestões de investimentos desde o início da crise?

Nosso primeiro passo na conversa com o investidor é entender qual o perfil dele. Assim, sabemos qual o seu apetite para risco. A partir daí, nos preocupamos com a reserva de emergência. Pensando nisso, o cliente precisa ter uma parte dos recursos em produtos de baixo risco e alta liquidez. No restante do dinheiro, procuramos trabalhar a diversificação, respeitando o perfil de risco dele. Então, vemos que as recomendações que demos foram acertadas. Quem as seguiu está passando pela crise com impacto atenuado. Claro que estão sofrendo, mas como têm reserva de emergência, isso é amenizado. Assim, a nossa recomendação não mudou. Recomendamos que os clientes se mantenham nos fundos, porque essa crise é passageira. Ela tem começo, tem meio e tem fim. Não sabemos se isso será em dois ou quatro meses. Talvez a recuperação também seja mais lenta do que a gente imaginou. Mas ela vai passar e esses investimentos vão retomar. 

A crise terá impacto nos planos de longo prazo do investidor?

Terá impacto no curto prazo. É uma crise que vai passar. Não sabemos dizer qual o prazo deste impacto e quando a economia começa exatamente a retomar. 

A sra. falou em dois a quatro meses. Acredita que será esse o prazo?

Sim. Por enquanto, acreditamos que no segundo semestre deve haver retomada. Mas isso vai depender de esses dois a quatro meses de crise se confirmarem. Se não conseguirmos controlar o coronavírus ao longo desse período, se ele demorar seis a oito meses para ser controlado, o impacto na recuperação fica maior, obviamente.

Há oportunidade para sair da renda fixa?

Há o perfil de cliente que se mantiveram em renda fixa. Se ele é, de fato, conservador, deve ficar onde está. O momento é de muita instabilidade e, se o cliente não suporta volatilidade, ficar onde está é o melhor caminho. Mas existe o investidor que possui uma reserva de emergência bem protegida e tem apetite para correr um pouco de risco. Neste caso, dado que há uma grande desvalorização dos ativos, quem tem uma visão de longo prazo pode entrar no mercado de renda variável pouco a pouco. A indicação é comprar um pouco a cada dia para fazer um preço médio bom, porque não sabemos qual será o ponto mínimo da Bolsa. Teremos ainda instabilidade no curto prazo. No longo, o mercado se recupera e o cliente vai aproveitar essa valorização.

Como foi a rotina nos últimos dias?

Os últimos dias têm sido bastante intensos. Nossos clientes estão nos procurando muito para entender o cenário. Eles querem saber se é o momento de resgatar, sacar, se é momento de investir, entrar ou sair da Bolsa. A gente intensificou o contato com o nosso time, conversando várias vezes ao dia e deixando todo mundo atualizado de como está o mercado e como ficam as nossas recomendações de investimentos nesse momento. Além disso, nos aproximamos dos clientes, fazendo, inclusive, algumas "lives". Não existe uma bola de cristal para saber onde isso vai parar e se a Bolsa já chegou ao seu mínimo. 

As saídas de fundos aconteceram de maneira acelerada. Como vocês estão lidando com isso?

Fato. Nesses momentos, a gente acaba testando o perfil psicológico. Essas saídas, que nós também observamos, podem ter sido uma decisão um pouco precipitada do cliente. Esse investidor vê a cota do fundo variando e, imediatamente, toma a decisão de sacar e deixar o dinheiro em um porto seguro, como um CDB ou um fundo de renda fixa com liquidez diária. Às vezes, deixam até mesmo a quantia parada em conta-corrente para esperar o que está por vir. Vimos, sim, o mercado fazer isso. No entanto, é importante que, ao tomar essa decisão, o cliente procure um especialista. Assim, ele evita tomar uma decisão errada, transformando uma perda passageira em uma perda permanente. Se ele tivesse um horizonte de longo prazo, o ideal seria esperar.

A redução da taxa básica de juros para 3,75% ao ano mudou algo na estratégia?

Em termos de investimento, nossa recomendação não muda. Já vínhamos experimentando uma taxa de juros muito mais baixa do que estávamos acostumados. A diversificação continua sendo o melhor instrumento para buscar mais rendimentos. Com 3,75% ao ano e a inflação como o BC divulgou (projeção de 3,10% para 2020), quase não haverá juro real para quem fica na renda fixa. Portanto, nossa recomendação continua sendo buscar diversificação, respeitando o perfil de risco.

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