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Não há como crescer acima de 3% nos próximos 4 anos, diz Raul Velloso

Diante do cenário fiscal atual, o especialista em contas públicas Raul Velloso não vê grandes possibilidades de o Brasil ter crescimento acelerado e sustentado nos próximos quatro anos. "Não tem como o crescimento acontecer de ser acima de 2% ou 3%", afirmou em entrevista ao Broadcast Ao Vivo. Segundo ele, o cenário aponta para crescimento dos gastos e queda de investimentos. Para Velloso, é necessário uma mudança no modelo atual, que é "cruel" para o crescimento da economia. "Hoje temos mais certeza de evolução dos gastos do que da receita", disse. Diante disso, Velloso é cético em relação às chances de o Brasil vir a ser grau de investimento até 2010, como acreditam alguns economistas. "Ia contrariar o que se diz no livro", ironizou. Para Velloso, as taxas de juros, o carga tributária, os marcos regulatórios do País, e uma "situação primária fiscal olhando para uma perda progressiva ainda que lenta" não refletem um País que esteja rumo a um crescimento maior. "Como isso concilia com grau de investimento? Pelo meu livro é difícil de chegar lá", avaliou. ReaçãoO secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Júlio Sérgio Gomes de Almeida, reagiu às declarações do economista. Em entrevista à Agência Estado, Almeida disse que Velloso "erra muito" e que o Brasil tem todas as condições para crescer a uma taxa média de 5% nos próximos cinco anos. "O Velloso erra demais. A nossa avaliação é completamente diferente. Temos condições favoráveis para crescer muito mais", disse o secretário. Segundo ele, com o aumento da taxa de investimento o País pode crescer até mesmo a taxas maiores do que 5%. Almeida disse que Velloso tem errado nas suas avaliações sobre a situação fiscal do País e agora vai errar de novo ao falar sobre perspectivas de crescimento. Ele ressaltou que Velloso disse que o País vivia um quadro de crise fiscal e que o governo não cumpriria a meta de 4,25% do PIB de superávit das contas públicas. "Os dados não estão corroborando essa avaliação. Onde está a crise fiscal?", criticou o secretário.Gomes de Almeida disse que a avaliação de alguns analistas de que o superávit das contas públicas é pré-fabricado também vai se mostrar equivocada.Na avaliação do secretário, ao contrário da avaliação de Raul Velloso, a economia brasileira terá força nos próximos anos, porque a queda dos juros e a situação das contas externas permitem um maior crescimento. "A inflação dos preços livres está morta. Isso abre espaço para uma redução dos juros que refletirá no crescimento. Poderemos contar com uma taxa de juros significativamente menor", disse ele. "Com a inflação que tem hoje, o Brasil se habilita a crescer uma taxa média de 5%", acrescentou.Almeida disse ainda que o País tem que ter como objetivo o crescimento da economia, com políticas claras para o investimento. "Temos que ter esse objetivo. Um plano de crescimento e de desenvolvimento", afirmou o secretário. Na sua avaliação, o governo já está fazendo isso ao estimular os investimentos, que é indutor do crescimento.Para o secretário, a proposta do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, para o governo adotar metas de crescimento precisa ser estudada "com muita atenção". " O que o governo pode e está no caminho é ter o crescimento como objetivo, com políticas claras para o investimento", disse.

Agencia Estado,

27 de setembro de 2006 | 18h45

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