Não há condições de mudanças no câmbio, diz Furlan

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, reconheceu nesta quinta-feira, 8, que não há condições de mudanças no nível atual da taxa de câmbio. "A nossa perspectiva é de que não há condições de ter mudanças no patamar da taxa de câmbio. O setor exportador foi se adaptando", afirmou o ministro, em rápida entrevista, após tomar o café da manhã com o presidente da Alemanha, Horst Köhler.Segundo Furlan, as exportações brasileiras continuam com vigor, mesmo com a taxa de câmbio no patamar em torno de R$ 2,10 ou R$ 2,20. Ele comentou que as exportações, nos dois primeiros meses do ano, apresentam um desempenho acima da projeção do governo, que estima um total de exportações de US$ 152 bilhões para 2007.O ministro disse que tanto a quantidade quanto o preço dos produtos vendidos pelo Brasil no exterior estão subindo. Além disso, destacou, há mudanças no mix de quantidade e preço. Ele citou o caso do setor automotivo, que diminuiu a quantidade de veículos vendidos ao mercado externo, mas o valor aumentou. "Porque estamos vendendo veículos com mais tecnologia e sofisticação."Furlan observou que também as importações estão crescendo - em torno de 25% - e que há espaço na economia para que o ritmo de expansão das compras externas continue. Por enquanto, disse o ministro, não representam riscos para a balança comercial as turbulências na economia da China, que afetaram os mercados mundiais nos últimos dias. "Não estamos sentindo nenhuma mudança no curto prazo", afirmou.CrescimentoO ministro disse que o desafio do Brasil é chegar ao último trimestre deste ano com o crescimento de 5% do Produto Interno Bruto (PIB). "Para entrar 2008 com uma velocidade de crescimento de 5%", disse. Ele afirmou que a média de expansão de 2007 vai ser menor do que esses 5%, mas espera que este ano repita o ocorrido no ano passado, quando o crescimento do último trimestre foi maior do que a média. DohaEle afirmou que a posição da Alemanha é uma das mais proativas em relação à Rodada Doha. "Eles são totalmente a favor de que se tenha a conclusão da Rodada Doha", afirmou.Segundo Furlan, Köhler ficou "muito satisfeito" ao saber que, com a visita do presidente dos Estados Unidos ao Brasil, George W. Bush ao Brasil, essas negociações possam ter avanços.O ministro também reiterou que a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, em encontro anterior com o presidente Lula, já disse que tem uma posição progressista, no sentido de dar andamento à Rodada Doha."Uma organização como a União Européia, que agora tem 27 países, deve se pautar por uma orientação dada por uma maioria e não por uma minoria", disse Furlan, numa referência aos países que resistem mais à conclusão da rodada.ChinaO ministro disse ainda que a velocidade de crescimento das importações de produtos chineses "mais sensíveis" para a indústria brasileira, como têxteis e confecções, está se reduzindo. Segundo o ministro, isso é resultado de acordos feitos com os chineses para redução voluntária. Furlan comentou, no entanto, que a Secretaria de Comércio Exterior (Camex) está olhando com muito cuidado tentativas de fraudes em importações de produtos a preços inferiores ao valor real. "Tem-se conseguido evitar que algumas empresas fraudem o Fisco", comentou o ministro. Segundo ele, há um esforço grande da Polícia Federal e da Receita Federal para coibir essas práticas, que prejudicam a competitividade da economia nacional.Furlan disse que a qualidade dos produtos chineses importados é melhor atualmente. O Brasil, segundo ele, está importando mais componentes e equipamentos sofisticados. Como exemplo dessa melhoria, o ministro mencionou os brinquedos importados da China.Segundo Furlan, a atuação do Inmetro certificando os produtos para que não sejam danosos e não contaminem as crianças está permitindo um nível melhor na qualidade dos produtos.

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