Não há consenso sobre propostas da Alemanha para mudança na União Europeia, diz Merkel

Chanceler alemã afirmou que os membros do bloco da moeda comum europeia precisam adotar diretrizes conjuntas de orçamento

Álvaro Campos, da Agência Estado ,

21 de maio de 2010 | 13h22

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse nesta sexta-feira que algumas das reformas propostas pelo país após o início da crise da dívida soberana da Grécia exigiriam mudanças no tratado da União Europeia que nem todos os membros apoiam atualmente.

"Existem ideias da Alemanha que exigiriam mudanças no tratado, mas nós deixamos bem claro que estamos apenas começando a discutir isso", disse Merkel. "Não há nenhum consenso no grupo do euro, nem mesmo sobre o que exatamente deveria ser feito".

Merkel afirmou que os membros do bloco da moeda comum europeia precisam adotar diretrizes conjuntas de orçamento e estabelecer rígidas sanções para aqueles que não alcançarem essas metas. Antes, ela já havia dito que a zona do euro deveria ter o direito de expulsar um país se suas finanças se deteriorarem muito drasticamente. Estabelecer tal regra exigiria a aprovação de todos os 27 membros da UE, mesmo daqueles que não usam o euro.

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, que esteve em Berlim para seu primeiro encontro com Merkel desde que assumiu o cargo na semana passada, disse que não vai concordar em transferir nenhum poder de Londres para a UE, mas acenou que o Reino Unido não vai, necessariamente, atrapalhar uma possível mudança no tratado do bloco, contanto que não enfraqueça a soberania de países que não usam o euro.

"É claro que nós entendemos o desejo do governo da Alemanha de assegurar que a zona do euro funcione bem e funcione de acordo com os interesses dos contribuintes alemães", disse Cameron. "Mas isso não significa que seja necessário um tratado transferindo poder de Westminster para Bruxelas".

As relações de Cameron com Merkel têm sido tensas nos últimos anos com a sua decisão de tirar seu Partido Conservador do bloco de centro-direita do Partido Popular Europeu (European People's Party) no Parlamento Europeu. Mas ele elogiou Merkel nesta sexta-feira, dizendo que "admira há muito tempo" a chanceler alemã e espera ansiosamente poder trabalhar com ela.

Cameron se recusou a criticar a ação da Alemanha nesta semana de limitar as chamadas vendas a descoberto (naked short selling), mas disse que é importante que a Europa aponte as "verdadeiras causas em vez de só os sintomas" dos recentes distúrbios econômicos. Merkel defendeu a medida, dizendo que o governo precisa ser capaz de agir por conta própria contra ameaças financeiras. "Eu acho que está entendido que nós precisamos tomar decisões mais rápidas em algumas questões de regulamentação".

As vendas a descoberto envolvem a venda de um ativo que não é de propriedade do vendedor e para o qual não há um empréstimo para cobrir a posição.

Merkel também propôs regulamentação internacional em fundos de hedge, depois que o Parlamento Europeu e os ministros das finanças da UE chegaram a um acordo preliminar para regular essas atividades no começo desta semana.

"Eu acho que todos concordamos que os fundos de hedge precisam ser regulados", disse Merkel. Os governos do Reino Unido e da Alemanha têm "compartilhado agendas comuns" sobre a reforma bancária, disse Cameron, mas ele reconheceu que existem preocupações britânicas sobre as regras propostas pela UE para os fundos de hedge.

A visita de Cameron a Berlim se deu após ele ter passado por Paris na quinta-feira, em sua primeira viagem internacional desde que chegou ao poder. As informações são da Dow Jones.

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