Não há data para alta do combustível, diz Graça

Presidente da Petrobrás diz que alta do dólar e do petróleo podem tornar o reajuste "mais premente", mas não diz quando os preços devem subir

ANNE WARTH, EDUARDO RODRIGUES / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2012 | 02h07

A presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, afirmou ontem que a companhia tem dinheiro para cumprir seu plano de investimentos, apesar de reconhecer a necessidade de um novo reajuste nos preços dos combustíveis. A executiva não revelou quando será preciso aumentar a gasolina e o diesel, nem de quanto seria esse reajuste, mas enfatizou que tudo depende da relação entre o câmbio e a cotação do petróleo no exterior.

"Não está descartado aumento de combustível, definitivamente não. Não temos uma confirmação exata (de data). Não tem previsão de quanto seria", afirmou Graça Foster, como gosta de ser chamada, após ser homenageada no Congresso com a Medalha do Mérito Legislativo.

"Se o (petróleo tipo) Brent continua nos patamares em que está ou mais elevados, se houver uma depreciação do real maior que a que temos hoje, nós teremos uma necessidade mais premente de elevação de combustível", explicou a presidente da estatal. Ontem, a moeda americana fechou cotada a R$ 2,0940 após chegar a R$ 2,0990 durante a manhã. Esse foi o maior valor desde maio de 2009. No mercado futuro, o dólar encerrou o dia valendo R$ 2,1020.

Presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu que a empresa não tem dificuldade de caixa e disse que uma eventual "atualização" dos preços dos combustíveis virá no momento certo. "Conheço a fundo o caixa da Petrobrás. É o maior das empresas brasileiras", disse. "Temos de ficar felizes que o custo do combustível não está crescendo."

Efeito no bolso. Um novo reajuste nos preços dos combustíveis necessariamente terá impacto para o consumidor e na inflação. O último aumento ocorreu em junho, mas sem efeito na bomba. A gasolina ficou 7,38% mais cara, e o diesel teve seu preço reajustado em 3,94%. Como o governo isentou os derivados do pagamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, não houve repasse ao consumidor. Em novembro de 2011, o governo usou dessa estratégia para evitar impacto na inflação.

Com a negativa de Graça Foster e Mantega, as ações da Petrobrás caíram e arrastaram o Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores paulista. As ações que dão direito a voto da estatal (ON) caíram 2,78%, e as que garantem preferência no recebimento de dividendos (PN), registraram queda de 2,67%. A Bolsa paulista terminou o pregão em queda de 0,37%.

Graça Foster frisou que a estatal é "muito mais que gasolina e diesel". "A Petrobrás tem uma gama de mais de 100 produtos, tem atividades no Brasil e no exterior. É um mix que dá à Petrobrás estabilidade para que a gente continue conduzindo as nossas atividades comerciais", avaliou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.