Não há defasagem nos preços do setor de petróleo, diz Gabrielli

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, rechaçou as acusações de que o governo estaria segurando os preços e desencorajando investimentos privados no setor de petróleo. "Quem define preço de gasolina não é o governo, mas a Petrobras", argumentou Gabrielli em entrevista ao "Canal Livre", da TV Bandeirantes. Ele garantiu que, apesar de ser controlada pelo governo, a Petrobras não teria por que manter defasagens de preços dos derivados. "Eu diria que hoje os nossos preços (de derivados) estão adequados para o patamar de preços (do petróleo) existentes, porque isso se reflete nos nossos resultados", argumentou o presidente da estatal. Ele lembrou que, apesar da suposta demora nos reajustes, a Petrobras obteve o quarto maior lucro líquido entre as empresas de petróleo no primeiro semestre.O presidente da estatal garantiu que os preços no Brasil não podem ser comparados com nenhum outro país devido às peculiaridades locais, como a adição de 25% de álcool à gasolina e a alta carga tributária incidente nas bombas. "É uma situação completamente diferente das margens de refino e de produção", ponderou Gabrielli. Ele insinuou que o pedido de reajustes estaria partindo de empresários que não investiram e acabaram ficando com plantas industriais defasadas tecnologicamente. "A previsibilidade é uma demanda de alguns players do mercado brasileiro", disse ele. E opinou sobre a paralisação das duas refinarias privadas brasileiras por causa do preço do petróleo: "Eu acho isso um outro equívoco". Ele explicou que o problema foi que elas não se capacitaram a processar uma maior proporção de petróleo do tipo bruto, que chega a ser US$ 19 mais barato do que o tipo leve. "Se essas refinarias não se prepararam para processar um petróleo mais pesado, que é mais barato, elas tiveram problemas."Novo patamar - Gabrielli acredita que o petróleo atingiu um novo patamar de US$ 60 por barril que dificilmente será reduzido nos próximos anos. "Nós consideramos que esse preço do petróleo reflete uma situação nova, uma crise de tipo novo", frisou. Segundo o presidente da Petrobras, existe uma limitação na capacidade de produção e refino mundial de petróleo. "A capacidade de expansão da produção no curto prazo é pequena em relação ao crescimento da demanda", sintetizou. Além disso, explicou, os maiores países consumidores estão relativamente imunes ao aumento, seja pela pequena proporção que isso representa nos orçamentos familiares, nos Estados Unidos, ou pela valorização de suas moedas frente ao dólar, no caso da Europa e do Japão. "Portanto, nós temos uma situação em que provavelmente teremos que conviver com preços altos durante muito tempo."Auto-suficiência - O executivo prevê que a esperada auto-suficiência em petróleo no País será finalmente alcançada em 2006. "Nós esperamos que em 2006 tenhamos uma auto-suficiência sustentada", garantiu o presidente da estatal. Ele ressalvou que o fato de o Brasil alcançar o volume necessário de petróleo para o consumo interno não significa que o País deixará de importar o produto. "Porque nós produzimos petróleo pesado e nós temos que misturar esse petróleo pesado com petróleo leve importado", explicou Gabrielli. Apesar das importações, o Brasil exporta excedentes na produção de gasolina, o que acabou gerando um superávit de U$$ 1 bilhão na conta petróleo. "Esse é um elemento extremamente importante, porque significa que você está sendo capaz de fazer uma redução da vulnerabilidade externa das empresas e do mercado internacional."

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