Não há explicação pra petróleo chegar a US$ 140, diz Lula

Em anúncio de plano agrícola, presidente critica especulação e diz que ela afeta os preços dos alimentos

Agência Estado,

02 de julho de 2008 | 13h01

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a especulação no mercado futuro de commodities é delicada por sua influência sobre os preços de alimentos. Em discurso realizado nesta quarta-feira, 2, de manhã em Curitiba (PR), durante o anúncio do plano de safra 2008/09, Lula criticou a especulação dos bancos com contratos futuros de commodities agrícolas e petróleo. "Não há explicação para a cotação do petróleo chegar a US$ 140", disse ele.   Veja também: Plano agrícola prevê R$ 65 bi para conter alta dos alimentos Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos    O presidente voltou a falar sobre o alerta feito na Fundo para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO, na sigla em inglês), que os países ricos não podiam apontar para os "dedos sujos de petróleo e carvão" para o etanol limpo produzido no País. Lula já havia usado esta expressão para defender o etanol brasileiro na reunião de cúpula da FAO, realizada no início de junho, em Roma.   Nesta quinta, o governo divulgará o Plano Agrícola e Pecuário para a agricultura familiar, cujo montante de recursos será de R$ 13 bilhões. "A ordem é dobrar a produção de alimentos da agricultura familiar", afirmou Lula no discurso, citando a medida como uma das maneiras para enfrentar a alta de alimentos. Segundo Lula, a agricultura familiar não pode continuar limitada à produção de subsistência.   Lula repetiu a frase do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que ao fazer o anúncio nesta manhã, disse que "este não é um plano do Ministério, mas do governo". Segundo o presidente, todo o investimento feito agora em agricultura será transformado em oferta de alimentos no próximo ano.   Dívidas   O presidente defendeu ainda a renegociação das dívidas dos produtores rurais, benefício previsto na Medida Provisória (MP) 432, que tramita no Congresso Nacional. "Se nós quisermos receber, nós temos que dar condições de as pessoas pagarem", afirmou. "Não adianta ficar castigando a vida inteira se não vai receber", afirmou.   Segundo Lula, a renegociação vai "desbloquear" a agricultura brasileira para que "possa ser muito mais produtiva do que foi até agora". Na avaliação do presidente, determinadas dívidas do setor agrícola eram "impagáveis e incompatíveis com o valor principal da dívida". "O plano não é um incentivo ao não pagamento. Agora quem puder pagar vai pagar", disse.   A MP prevê algum tipo de benefício para R$ 72 bilhões de um total de R$ 87,5 bilhões em dívidas do setor rural. Lula lembrou que o valor da dívida foi elevada em 10% ou 20% devido à incidência de juros e mora sobre o valor principal.   Ele concluiu seu discurso reafirmando que o "Brasil vive um momento ímpar em sua história". Em relação aos investimentos em infra-estrutura, ele citou a construção de quatro novas siderúrgicas, para que o Brasil não se limite a ser apenas um exportador da matéria-prima.   Platéia   Um grupo de cerca de 800 produtores rurais de municípios agrícolas do Paraná acompanharam a cerimônia de lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2008/09. Quando o chefe do cerimonial anunciou o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os participantes ficaram em pé e aplaudiram o presidente, gritando:"Lula! Lula!". Entre outras autoridades, participaram do evento o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, diversos senadores e deputados.

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