Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Não há mágica nem medidas iluminadas para economia crescer, diz Meirelles

Ministro da Fazenda afirmou que o governo não está de mãos atadas e que o País tem feito o 'dever de casa' para recuperar o crescimento

Adriana Fernandes, Eduardo Rodrigues e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2016 | 12h02

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, avaliou que o governo não está de mãos atadas para assegurar a recuperação do crescimento do País. Ao ser questionado nesta quarta-feira, 21, sobre a lenta reação da atividade econômica, disse que o governo tem uma ação positiva com a agenda fiscal e microeconômica.

Em uma crítica à gestão da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que criou a chamada Nova Matriz Macroeconômica, o ministro ponderou que o que governo não faz é uma prática de movimentos artificialistas e irrealistas que só pioram a situação, aumentando o déficit nas contas públicas. "Na economia, não há mágica nem medidas iluminadas para a economia crescer mais rápido", afirmou.

Segundo ele, os problemas têm que ser resolvidos para botar a "máquina funcionar em outra direção". O ministro disse que é preciso que os consumidores percam o receio de ficarem desempregados e voltem a gastar. "Se tomarmos as medidas certas, os agentes econômicos antecipam os seus efeitos", declarou.

Na entrevista de fim de ano, o ministro ponderou que existem economistas importantes que estão com projeções de crescimento superiores à do governo, porque têm levado em consideração outros fatores, como os baixos estoques das empresas.

Meirelles ressaltou que a confiança tem uma dinâmica própria e se mostrou otimista com a entrada do Brasil em um ciclo de crescimento em 2017. 

PIB. Apesar de existir uma possibilidade de crescimento da economia já no 1º trimestre de 2017, o governo não conta com isso, disse Henrique Meirelles. "Não estamos necessariamente contando com isso", afirmou. Por outro lado, o ministro afirmou que o País pode crescer em ritmo mais forte até o fim do ano que vem, superando 2% na comparação do 4º trimestre de 2017 com os últimos três meses deste ano.

As previsões mais otimistas da Fazenda para o fim do ano que vem têm sido recorrentes no discurso da equipe econômica. Desde o fim de novembro, secretários da pasta e o próprio ministro têm usado a projeção de crescimento de 2,8% do PIB no último trimestre de 2017 em relação a igual período deste ano para demonstrar que a economia brasileira está sim retomando o fôlego.

Meirelles ressaltou que a economia brasileira caiu muito entre o 4º trimestre de 2015 e o último trimestre de 2016. Quando isso acontece, no ano seguinte, mesmo que cresça, a comparação entre as médias anuais fica depreciada. "Mas não significa que o País não está crescendo forte", disse.

Segundo o ministro, a economia pode reagir já no 1º trimestre de 2017. "Existem possibilidades, com grande margem de incerteza, e esse é o problema da previsão trimestral, que é mais volátil, mas existe boa possibilidade de o número no 1º trimestre ser positivo. Mas não estamos necessariamente contando com isso", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.