Não há medidas cambiais com efeito imediato, diz Lula

'É como dor de cabeça, não melhora assim que você toma comprimido', diz Lula sobre medidas de Mantega

Gustavo Porto, de O Estado de S.Paulo

14 de março de 2008 | 14h06

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, 14,  que as medidas cambiais tomadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e pelo Banco Central foram corretas e trarão efeitos no médio prazo. "Não existem medidas cambiais imediatas, elas foram anunciadas anteontem e acho que as pessoas nem sabem ainda. É como uma dor de cabeça, não melhora assim que você toma o comprimido." Lula disse que as medidas são de prevenção para facilitar e não inibir o crescimento e desenvolvimento do Brasil".  Veja também: Celso Ming analisa medidas do pacote cambial  Dólar cai mais e mercado espera medidas cambiaisOs efeitos da desvalorização do dólar Economia brasileira cresce 5,4% em 2007  Objetivo é desestimular entrada de capital especulativo Medidas são inócuas, dizem economistas  Segundo Lula, as medidas servem para melhorar a capacidade de exportação do País e o governo trabalha para que o real não fique tão valorizado porque diminui a quantidade de produtos exportados. Lula participou nesta sexta da cerimônia de anúncio de investimentos de R$ 155,9 milhões em saneamento e infra-estrutura para construção de um contorno ferroviário em Araraquara, São Paulo. Do total a ser investido, R$ 115,9 milhões serão oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o restante dos recursos serão bancados pelas prefeituras beneficiadas.  Veja abaixo as medidas anunciadas e seus efeitos sobre o câmbio: 1- Fim da cobertura cambial - exigência de que as receitas com exportação sejam internalizadas no País. Hoje, o governo permite que apenas 30% dos recursos sejam mantidos no exterior. Com a medida, o exportador poderá deixar todos os dólares recebidos com a exportação fora do País. Esta medida reduz a entrada de moeda americana no mercado interno, o que diminui a pressão sobre o dólar. 2- Fim da cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) - esta medida reduz o custo dos produtos brasileiros no exterior. Com isso, os exportadores compensam, em parte, a perda de competitividade provocada pela valorização do real. Hoje as exportações pagam alíquota de 0,38% e, agora, deixarão de recolher o imposto na saída dos produtos. Com esta medida, o governo terá uma perda de arrecadação de R$ 2,2 bilhões por ano. Mantega dise que, se 10% do volume vendido pelo Brasil ao exterior ficar em outros mercados, US$ 17 bilhões deixariam de entrar no mercado brasileiro. 3- Cobrança de IOF sobre as operações de renda fixa para investidores residentes fora do país - esta medida desestimula o ingresso de capitais especulativos interessados em obter ganhos na arbitragem (diferença) entre a taxa de juro interna, que é alta, e o juro externo, que está mais baixo. O Imposto ficará em 1,5%. A medida não será usada para aplicações de renda variável, como as ações da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o lançamento de ações (IPOs), os empréstimos estrangeiros, o investimento direto, operações de derivativos e renda variável e operações de derivativo de índice de ações. Sobre a taxação dos investimentos estrangeiro, o ministro citou que, em janeiro, o País recebeu US$ 1,6 bilhão em aplicações de renda fixa destes aplicadores. "Quando a CPMF acabou, não colocamos nada em seu lugar. Isso aumentou o rendimento dessas aplicações", explicou. Com o imposto de 1,5%, a rentabilidade destas aplicações vai cair, principalmente nas operações de curto prazo. "Isso vai diminuir o diferencial de juros e, com isso, vamos diminuir o fluxo", comentou ao citar a diferença entre a taxa de juros americana e brasileira. Nos investimentos de longo prazo, segundo o ministro, o custo extra será diluído e, portanto, não deve pesar sobre a rentabilidade.

Tudo o que sabemos sobre:
Medidas cambiaisMantegaLula

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.