Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

'Não há nada contra ninguém do conselho ou alguém da empresa', diz presidente da CVC

Segundo executivo, renúncia de quatro membros do conselho de administração da empresa faz parte de alterações no quadro societário; ele também descartou possíveis problemas de ética

Entrevista com

Leonel Andrade, presidente da CVC

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2021 | 05h00

Depois da renúncia de quatro membros do conselho de administração da CVC, anunciada ontem ao mercado, o presidente da empresa, Leonel Andrade, afirmou que a mudança no colegiado decorre de alterações no quadro societário. Durante a pandemia, com a queda do preço das ações, as gestoras Opportunity e Pátria elevaram suas participações, tendo direito a assentos no colegiado. Andrade nega que os conselheiros tenham deixado a companhia por causa de erros contábeis ocorridos nos últimos anos e que resultaram em um impacto negativo de R$ 362 milhões na empresa. “Hoje não existe nada contra ninguém do conselho ou contra alguém que esteja na empresa. Nenhuma apuração ou questionamento de ética” afirmou. Ontem, os papéis da CVC caíram 1%. 

A reportagem não conseguiu contato com os ex-conselheiros. Cristina Junqueira, que fazia parte do colegiado, disse que não se pronunciaria. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Por que os conselheiros renunciaram? 

Antes da pandemia, a empresa já vinha num período ruim. Em fevereiro, o diretor financeiro (Maurício Montilha) disse que havia encontrado problemas contábeis. Aí, se criou um comitê de apuração e viram que o problema era maior do que parecia. As ações desabaram. Nesse momento, grandes fundos começaram a comprar (ações da CVC), como Opportunity e Pátria. Aí falaram que queriam participar do conselho. Em maio do ano passado, três conselheiros saíram, e entrou um representante do Opportunity, um do Pátria e um independente indicado por eles. A apuração continuou e, em 31 de agosto, a empresa se posicionou. Os quatro conselheiros disseram, então, que ficariam mais um tempo, mas já queriam ir embora. A conversa foi: ‘por favor, vamos terminar a missão antes’. Do jeito que o ano foi difícil, com a confusão da empresa, a gente tinha de renegociar a dívida, fazer a capitalização e uma troca de gestores. Então, aceitaram ficar. Em dezembro, fechamos a renegociação da dívida. Aí, esses conselheiros falaram: ‘agora é hora de ir’. Ao mesmo tempo, o Pátria e o Opportunity já tinham decidido que iam colocar mais conselheiros. Aí fomos selecionar novos conselheiros. Isso foi feito e, na sexta-feira, fechamos novos conselheiros.

Não foi a aprovação de balanços com erros contáveis o motivo para a saída? 

O que está caindo muito mal e gerando desconforto é que tem uma apuração (de fraude contábil). É público que a empresa vai ter de submeter providências à assembleia de acionistas. Hoje não existe nada contra ninguém do conselho ou contra alguém que esteja na empresa. Nenhuma apuração ou questionamento de ética. Os conselheiros cumpriram o trabalho. É importante frisar que quem tem de decidir se vai tomar uma ação ou não é a assembleia, não o conselho. 

Mas o conselho não identificou um problema que se acumulou por anos.  

É fato. Balanços foram publicados e sempre houve conselheiros. Mas auditorias também viram (os balanços). Se você tem indícios de fraude de manipulação de resultados, obviamente depois pode avaliar que o conselho não cumpriu seu papel. Mas, quando você tem uma manipulação, é muito difícil (identificar). Não estou dizendo que o conselho fez bem ou mal feito. O fato é que não existe nenhum indício contra o conselho. 

Por que eles saíram juntos?

Como a eleição é por voto múltiplo e era uma chapa, se um renuncia, cai os outros. O fato é que quatro conselheiros já estavam predispostos a sair.

Há rumores de que os conselheiros se sentiam enganados pela gestão anterior. 

Não posso falar por eles, mas posso garantir que o conselho nunca teve nenhum problema interno. Estavam todos trabalhando muito bem.

Na diretoria também houve uma mudança grande. Por quê?

Desde que cheguei (à CVC, em abril), 20 pessoas reportavam a mim. Hoje, são 11 e, desses, sete são novos. Mas também tem muita gente boa entrando. Tem a ver com a cultura. É muito difícil estar em uma empresa em que você vê a dificuldade de transformação para o mundo digital. Precisa renovar. Se não, não se consegue fazer muita coisa. 

A empresa apresenta hoje a investidores iniciativas para os próximos meses. Marcas serão eliminadas? 

A CVC comprou dez empresas nos últimos cinco anos. Quando cheguei, elas não estavam integradas, mesmo empresas que faziam a mesma coisa. Juntei essas empresas, mas ainda tenho várias marcas. Vamos uni-las.

Tudo o que sabemos sobre:
CVCCristina JunqueiraLeonel Andrade

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.