''Não há nada de concreto'', desconversa Serra

Segundo governador, negociação com o Banco do Brasil ainda está no início e a compra, por enquanto, ?é apenas uma intenção manifestada?

Carolina Ruhman, Ricardo Leopoldo e Elizabeth Lopes, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2008 | 00h00

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse ontem que a venda da Nossa Caixa ao Banco do Brasil vai depender da proposta. "Se for um bom preço, poderemos caminhar para uma solução. Tudo vai depender do preço", ressaltou. A declaração foi feita durante o evento de assinatura de convênio entre o governo estadual e a prefeitura de São Paulo para investimentos no Metrô.Segundo Serra, as negociações para a venda da Nossa Caixa estão no início e "ainda não há nada de concreto". "A compra, por enquanto, é apenas uma intenção manifestada", afirmou. "Nós recebemos uma proposta do Banco do Brasil para conversar. Agora, eles farão uma avaliação para determinar o preço que será oferecido."Para o governador, "há um exagero no que se refere a já considerar o negócio fechado". "Primeiro, precisamos saber quanto o Banco do Brasil vai oferecer, depois vamos avaliar".Serra evitou detalhar as negociações. "Eu já falei o que tinha para falar a esse respeito. O secretário da Fazenda pode continuar falando", disse, após participar, em São Paulo, do Congresso de Gestão e Feira Internacional de Negócios em Supermercados, promovido pela Associação Paulista de Supermercados (Apas).O governador, porém, acabou abordando o tema indiretamente ao enfatizar a necessidade de aumentar os investimentos estaduais. "O Estado está com as contas arrumadas, mas falta dinheiro para investir", justificou. "A gente não gasta o que não tem." Serra disse ainda que seu governo quer melhorar a arrecadação "e obter receitas do estilo uma vez por todas", como a venda da conta salário, que rendeu aos cofres do governo R$ 2 bilhões.Já o presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, José Carlos Vaz de Lima (PSDB), afirmou ao Estado que os deputados paulistas teriam condições de aprovar em até 30 dias o projeto de lei que deverá ser enviado pelo governo do Estado à Assembléia Legislativa pedindo autorização para a venda da Nossa Caixa ao BB. "O regimento tem um arcabouço que permite, em caso de urgência, aprovar o projeto em um mês."Vaz de Lima não sabe exatamente em quanto tempo o governo do Estado enviará o projeto à Assembléia. Um dos fatores que devem retardar o envio é a definição do valor que as consultorias do BB e da Nossa Caixa devem atribuir ao banco estadual. Ainda não há nenhuma avaliação oficial sobre o preço mínimo do banco. "Tão logo chegue o projeto na Assembléia, a presidência utilizaria todos os instrumentos regimentais para, no menor prazo possível, aprová-lo, resguardadas todas as condições de debates e garantias aos acionistas, correntistas e funcionários da Nossa Caixa", disse.Ele ressaltou ainda que a alienação da Nossa Caixa para o BB atende perfeitamente a todas as condições legais e não fere a Constituição. "Não se trata da transferência de uma instituição pública para um banco privado, mas da transferência de uma instituição estadual para uma federal que tem 200 anos de tradição no País."OPOSIÇÃOA bancada do PT na Assembléia deve se posicionar contra a operação. Segundo o deputado Roberto Felício, líder dos petistas na casa, o governo estadual não deveria se desfazer de um banco de fomento, pois isso poderá prejudicar a economia paulista.Ele destacou que a única razão para um negócio desse gênero seria a eventual má situação financeira da instituição. "Na nossa avaliação, a única coisa que justificaria a venda seria um cenário desse tipo, mas não temos mais informações a respeito e por isso precisamos avaliar todos os cenários."

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