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''Não há nova estatal, só discussão''

Lula disse que até o dia 19 de setembro vai receber proposta de novo modelo de exploração de petróleo no pré-sal

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou ontem que o conselho interministerial deverá lhe entregar até o dia 19 de setembro as propostas do novo modelo para exploração de petróleo na camada pré-sal. Sem esse documento, disse ele, não é possível especular sobre o assunto. "Não existe nova estatal. O que existe é uma discussão do conselho interministerial, que conta com muita gente do governo, para discutir o que vamos fazer a partir do pré-sal", afirmou, após a inauguração do Terminal de Regaseificação de GNL da Petrobrás no Porto de Pecém, no Ceará.Ao lado do presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, Lula evitou criar constrangimento e declarou que não é favorável nem desfavorável à criação de uma estatal para cuidar das reservas de pré-sal. Mas disparou: "A única coisa que disse até agora é que o petróleo, enquanto estiver debaixo da terra, é da União. Precisamos usar esse potencial para resolver o problema crônico desse País, acabar com a pobreza e recuperar o tempo perdido de investimento em educação."Lula disse que, a partir do momento em que receber as propostas do conselho interministerial, iniciará um amplo debate sobre o assunto com Petrobrás, Congresso Nacional e empresários para saber qual destino o País deve dar às novas reservas de petróleo no Brasil. "Até agora não sei se a Petrobrás pode tomar conta da reserva", disse, respondendo a uma pergunta sobre a possibilidade de a estatal cuidar do pré-sal. Para ele, as novas regras não devem ser pensadas a partir da vontade do presidente da República, da Petrobrás ou de um governador. Têm de ser pensadas a partir da vontade do povo brasileiro."O presidente elogiou as iniciativas da estatal nos últimos anos e atribuiu à empresa parte do bom momento vivido pelo País. "As descobertas feitas com o investimento da Petrobrás colocaram o Brasil numa situação altamente privilegiada entre os países detentores de grandes reservas de petróleo."Lula acrescentou que ainda não sabe quanto de petróleo existe na camada pré-sal. Os números, informou, serão anunciados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). "Não sei a quantidade exata. Mas penso que certamente tem menos do que desejaríamos, mas muito mais do que aquilo que a gente pensou em algum momento ter nesse País. Ninguém precisa me dizer os números porque vejo isso estampado na cara dos diretores da Petrobrás."Durante o evento, em que a Petrobrás assinou um protocolo de entendimento para a construção de uma refinaria Premium no Estado, com valor estimado em US$ 11 bilhões, Lula fez outra provocação e arrancou aplausos da platéia: "A Petrobrás é tão grande e tem tanto dinheiro que às vezes esnoba algumas coisas. Mas, aos poucos, vamos mostrando que não é o Brasil que é da Petrobrás, mas a Petrobrás que é do Brasil."HOMEM DE SORTELula visitou toda a unidade de regaseificação de GNL da estatal, a primeira do País, sob um calor de mais de 30 graus. Após a visita, discursou para políticos, autoridades estaduais e funcionários da Petrobrás. Iniciou o pronunciamento respondendo às palavras do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), que minutos antes o chamara de "homem de sorte". "Quem precisava de mais sorte eram os jogadores da seleção brasileira para jogar menos bola na trave e mais bola no gol", brincou. Mais tarde, voltou ao tema. "Passei metade da minha vida ouvindo que não tinha capacidade de governar esse País, que não tinha experiência. Deus queira que eu continue tendo muita sorte."Ao fim do discurso, chegou balançando uma toalha branca, em sinal de paz, para falar com a imprensa. Lula falou sobre os protestos contra o presidente da Bolívia, Evo Morales. "Tive a oportunidade de ligar para o Morales após o referendo. Ele teve uma boa vitória. Penso que ele deve tomar uma iniciativa do processo de conversação com outros setores para construir a paz. Tenho dito para meus companheiro presidentes da América do Sul que só há uma forma de o país crescer: é a paz." Ele afirmou que Brasil, Argentina e Chile devem contribuir para que todos os setores que estão brigando na Bolívia entrem num acordo.

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