Não há previsão para novas concessões, diz Infraero

Processos dos últimos três anos terão impacto anual de R$ 450 milhões na estatal, que planeja demitir 25% do efetivo

ANTONIO PITA / RIO , O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2014 | 02h04

O governo federal não estuda, ainda, novas concessões para aeroportos no País, contrariando a expectativa do mercado para um eventual novo mandato da presidente Dilma Rousseff. A afirmação é do presidente da Infraero, Gustavo Valle, após explicar como pretende redirecionar a empresa para o equilíbrio financeiro, após as concessões dos últimos três anos, que tiveram impacto de R$ 450 milhões por ano no caixa da estatal.

Questionado se o prejuízo poderia aumentar com novas concessões, aguardadas pelo mercado, o presidente da empresa afirmou que "ainda não se fala em novas concessões no governo". Segundo ele, o prejuízo causado à empresa pelas concessões é um "efeito da decisão bem-sucedida" de abrir o setor à iniciativa privada.

A Infraero também espera novo aporte do Tesouro no próximo ano, no valor de R$ 700 milhões, para implantar um programa de demissões voluntárias para 2.900 funcionários. A previsão é que já em 2016 a estatal reencontre o equilíbrio das operações.

"Em função das concessões, perdemos receitas, mas continuamos as despesas. Isso nos dará uma perda anual de R$ 450 milhões a partir do próximo ano", afirmou Valle. Para o presidente, o valor se refere a 25% da arrecadação do governo federal com as outorgas das concessionárias, anualmente. "É um efeito da decisão bem-sucedida de conceder os aeroportos."

Valle afirmou que o plano de demissões é a "única forma de equilibrar receitas e despesas" da estatal. Até o momento, 2.200 funcionários já deram sinais de interesse pelo plano, mas a meta é chegar a 2.900 - cerca de 25% do efetivo total da Infraero. Para implantar o programa, entretanto, é aguardado o aval do Ministério do Planejamento, que discute o cronograma e o impacto no orçamento.

Ainda não há previsão para definir uma data de liberação - ou mesmo se haverá o programa. "Isso não precisa ser feito da noite para o dia cronograma", completou.

"É um importante aporte. A cada R$ 100 milhões investidos no PDV, teríamos R$ 60 milhões em economia só no primeiro ano. Independente do volume gasto, em um ano e meio conseguiríamos reverter os prejuízos e equilibrar os resultados", avalia o presidente, que participou ontem da assinatura de contrato para obras no aeroporto Santos Dumont.

"Temos recebido de volta mais de 75% dos funcionários dos aeroportos concedidos", afirmou o presidente. Segundo Valle, as demissões ocorreriam gradualmente, pois a Infraero "não tem condições operacionais de perder todos esses funcionários".

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