Não há prova sobre benefício de acordo regional, alerta OMC

A Organização Mundial do Comércio (OMC) alerta: não existem provas concretas ainda de que são os acordos regionais entre parceiros que geram um aumento do comércio entre os países. Os dados fazem parte do relatório anual da entidade, publicado ontem. Segundo a OMC, o Mercosul é um dos raros casos onde está comprovado que a criação do bloco foi o responsável pela explosão do comércio entre Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina.Mas mesmo no caso do Mercosul, os economistas da OMC advertem. Parte do crescimento do comércio entre os membros ocorreu diante da elevada Tarifa Externa Comum (TEC) adotada pelo bloco em seus primeiros anos de vida e que dava ampla vantagem aos produtores regionais. Em 1985, por exemplo, o comércio entre os quatro parceiros representava em média 5,5% do que exportavam ao mundo. Em 2001, essa percentagem subiu para 20%.Nos últimos dois anos, porém, as crises na Argentina e no Brasil reverteram parte significativa do que havia se obtido. Segundo a OMC, o bloco conseguiu elevar suas trocas em 6% ao ano entre 1990 e 1999. Em 2002, o crescimento das exportações foi de apenas 1% e a queda das importações chegou a 26%. Já no caso da União Européia e do Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), os dados da OMC apontam para uma outra conclusão. No Nafta, o argumento é de que o comércio entre México, Canadá e Estados Unidos já vinha crescendo desde 1970. Já na UE, a OMC prova que o comércio entre os membros não se alterou desde a década de 70. As advertências da OMC estão sendo feitas exatamente quando se proliferam os acordos regionais. Neste ano, apenas China, Macau, Hong Kong, Mongolia e Taiwan não fazem parte de um tratado comercial. No total, 259 acordos já foram notificados à OMC nos últimos anos e a entidade aponta que a tendência pode ser negativa para o sistema multilateral.

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