Não há razão para argentinos reclamarem, dizem empresários

Setores da indústria brasileira acusados pela União Industrial Argentina (UIA) de causar desigualdades no comércio bilateral não há razão para tanto temor por parte dos vizinhos. "Não há previsão de explosão de vendas. Além disso, a indústria argentina ainda está desestruturada por conta da crise" , diz o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), Ricardo Wirth. Na terça-feira, a UIA apresentou ao presidente Néstor Kirchner um documento que mostra as assimetrias dos negócios entre os dois parceiros do Mercosul.O coordenador da área internacional da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Domingos Mosca, afirma que já estão em vigor dois acordos para limitar as exportações têxteis do Brasil para a Argentina. "Não achamos que cabe instalar barreiras entre os países do Mercosul. Mas nossa posição é, se os governos pedirem, a Abit será a negociadora do setor privado brasileiro", disse.De acordo com Wirth, os empresários dos dois países vinham discutindo em busca de um consenso sobre exportações de calçados até o último mês de março. Mas a proposta argentina, de limitar em 6 milhões de pares as vendas de calçados brasileiros para a Argentina, foi considerada inaceitável para os brasileiros, e não houve acordo. As negociações ficaram, então, a cargo apenas dos governos.Na área têxtil, o Brasil exporta para a Argentina cerca de 900 diferentes produtos da cadeia têxtil, de matéria primas até vestuário. "Os argentinos reclamam de apenas cinco produtos", disse Mosca. "Os argentinos querem que elevemos os preços. Não é engraçado?". A explicação é que as importações fazem os preços dos produtos argentino caírem.

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