"Não há razão para descartar ajuda do FMI", volta a dizer Malan

Em entrevista ao jornal espanhol Expansión, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, voltou a não descartar a possibilidade de o Brasil vir a negociar um acordo de transição com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "Não descarto que o país peça ajuda para garantir a transição. O FMI acaba de dizer que não compartilha da histeria dos analistas privados e que está disposto a oferecer um apoio diante da boa base conjuntural do país", disse Malan. "Não há razão para que seja necessário e tampouco para descartar a ajuda. Seja na administração atual ou na próxima, é um direito que todo sócio do fundo possui."O ministro foi questionado pelo diário financeiro espanhol sobre o estilo mais restritivo para as ajudas multilaterais adotado pelo consenso de Washington, entre o Tesouro dos Estados Unidos, o Federal Reserve, o FMI e o Banco Mundial. "É um estilo de natureza republicana, mas a contribuição do consenso de Washington para a resolução da crise foi muito efetiva no passado", disse Malan. "Foi no México, na Ásia, no Brasil e está sendo na Turquia". Segundo o ministro, a nova tática adotada pelos autoridades em Washington "é equivocada, porque não está claro que a nova estratégia seja válida, como demostra o caso da Argentina". O ministro disse que espera que essa postura seja modificada. Questionado sobre o rebaixamento do rating da dívida em real do Brasil promovido recentemente pela agência de classificação de risco Standard & Poors, Malan disse que a decisão foi "exagerada, pois não ocorreu nada nos fundamentos econômicos do Brasil que justifique uma mudança de tamanha magnitude". O ministro disse que as agências de classificação ´às vezes de precipitam, se deixam levar pelo instinto de rebanho e contribuem para implantar profecias preparadas por elas mesmas". Diante disso, o melhor que o governo pode fazer é demonstrar com qualidade que o cenário é gerenciável e as visões das agências exageradas. Segundo Malan, os efeitos da crise argentina no Brasil estão sendo notados nas exportações. "No primeiro semestre deste ano, as vendas caíram cerca de 65% ao nosso principal destino em termos anuais", disse. Malan disse o Brasil está compensando essa queda com exportações para a Europa, China, Rússia, Índia e outros países da Ásia. O ministro disse que acredita na viabilidade de uma moeda única para o Mercosul. "Sim, e mais agora que todos os sócios têm regimes cambiais flexíveis", disse. "A desvalorização do peso abre um período de avanços rumo à moeda comum".

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