"Não há razão para romper o casamento", diz Gabrielli

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, se mostrou nesta sexta-feira confiante em conseguir "um bom acordo" com a Bolívia, na situação criada após a nacionalização dos hidrocarbonetos decidida pelo governo de Evo Morales. "Temos a base material para um acordo razoável.A Petrobras precisa do gás natural da Bolívia e a Bolívia precisa do mercado brasileiro", disse aos jornalistas em Londres, após apresentar o plano de negócios da companhia para o período 2007-2011 a especialistas."Temos que nos manter casados, não há razão para rompimento", afirmou. Gabrielli explicou que, atualmente, existem duas mesas de negociações com o governo boliviano, mas insistiu em que a situação "segue adiante", e em que a Petrobras quer "uma solução negociada". O presidente da estatal descartou que uma eventual mudança no governo brasileiro possa ter influência nas relações entre os dois países."O Brasil e a Bolívia têm uma longa história de relações diplomáticas, não só com o atual Governo, mas com o anterior e com o antes do anterior", explicou.Gabrielli disse também que os acordos com a Bolívia são anteriores a 2003, data em que o presidente Lula chegou ao poder. Segundo o presidente da Petrobras, atualmente não existe "um caso especial de relações" entre os dois países."Temos um contrato, temos um interesse empresarial a discutir e temos dois governos que criam o contexto. Isso é absolutamente normal e vai continuar com qualquer (que seja o) governo eleito" no Brasil em outubro.RecusaNa quinta-feira, ao final de uma reunião de dois dias entre diretores da Petrobras e do governo brasileiro com representantes da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB, estatal), a companhia brasileira manteve sua recusa em aumentar o preço do gás boliviano consumido pelo Brasil.O governo de Evo Morales pretendia conseguir um aumento. O país recebe atualmente 26 milhões de metros cúbicos a um preço de US$ 4 por milhão de BTU (British Thermal Unit, a unidade de medida do produto). O Estado de São Paulo, o mais rico e industrializado do Brasil com um terço do Produto Interno Bruto (PIB) total, é o principal cliente do gás da Bolívia. O mercado paulista consome 80% do gás importado pelo País.NacionalizaçãoAs discussões começaram em 3 de maio, quando Morales nacionalizou os hidrocarbonetos e anunciou sua intenção de aumentar o preço de exportação do gás.Desde 29 de junho, ambos têm um prazo de 45 dias para chegarem a um acordo no caso que surgiu após a exigência da Bolívia. Caso o prazo expire, a resolução da controvérsia ficará nas mãos de um tribunal de Nova York.

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