Ed Ferreiro/Estadão
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Não há 'saco de maldades', diz Levy sobre aumento de impostos

Em análise do 1º mandato de Dilma, afirmou o ministro: 'Precisamos sair do zero a zero e arrumar no 2º tempo para começar a fazer gol'

Agência Estado

13 de janeiro de 2015 | 11h50

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou nesta terça-feira, 13, que o governo não tem como objetivo fazer um "saco de maldades" ou pacote de medidas. A afirmação foi feita em café da manhã com jornalistas ao responder uma pergunta sobre eventual aumento de tributos. Segundo ele, o governo tem limitação de gastos e está promovendo ajustes para preservar direitos e corrigir distorções e excessos.

Ele citou as reformas em benefícios trabalhistas e previdenciários encaminhadas ao Congresso e que devem trazer uma economia de R$ 18 bilhões este ano. "Essas distorções geram dispêndios e acabam com a capacidade de incluir outros direitos", justificou. "Não é proporcional renda vitalícia para quem tem condições de trabalhar", disse. 

Levy afirmou que o governo fará eventualmente alguns ajustes na área tributária. No entanto, afirmou que eventual aumento de imposto será compatível com o aumento da poupança nacional e com o impacto nas decisões das famílias. Segundo ele, elevação da carga tributária tem que ter o mínimo de impacto na atividade econômica e nas empresas. Levy afirmou que muitos jovens estão optando pelo empreendedorismo e cabe ao governo criar as condições para esses negócios. 

Segundo tempo. Levy fez uma comparação do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff a um segundo tempo de jogo de futebol. "A gente vai acertar o jogo no segundo tempo para fazer uma analogia canhestra com o futebol. Precisamos sair do zero a zero e arrumar no segundo tempo para começar a fazer gol", disse o ministro em café da manhã com jornalistas para apresentar a sua equipe de secretários. 

"Estamos entrando no segundo tempo, com uma formação um pouco diferente para fazer gol e também para não levar gol", disse. Ainda fazendo analogia com o jogo de futebol, o ministro disse que vai ter mudanças "no jeito de jogar". "Vai ser uma tarefa comum de governo e no ministério (da Fazenda) restabelecer a confiança, tanto do capital doméstico quanto do capital estrangeiro. 

Levy afirmou que a atual equipe econômica irá trabalhar em metas que deem condições para retomada da economia e gerar empregos em quantidade mais adequada. "Teremos um período de ajuste", reforçou. Segundo ele, resgatar a confiança é importante para que os agentes econômicos tenham condições de tomarem decisões. 

O ministro disse que 2015 será muito diferente de 2014. "O ambiente é um pouco diferente. Será um ano de ajuste e de retomada do crescimento para a volta da confiança. Queremos que as pessoas tomem risco", disse. Levy disse ter confiança de que o mercado de capital vai reagir. 

"E haverá mudanças no papel dos bancos públicos com a retomada do mercado de capitais", disse. O ministro afirmou que o governo pretende acertar vários aspectos de política do governo, como a questão das tarifas energéticas, para retomar a confiança. "O rumo está bastante claro e mostra a nossa disposição em enfrentar os problemas", disse. 

Davos. Levy afirmou que o Brasil é uma economia de mercado, em que a iniciativa privada "é quem toca a banda". O ministro fez a afirmação após dizer que deve participar do Fórum Econômico Mundial, em Davos. 

"A mensagem é de que o Brasil é uma economia que tem grandes recursos", disse, acrescentando que a mensagem também será de mudanças em política macroeconômica. Levy afirmou que o País passa por um processo de transformação. "Temos uma geração nova, mais inserida na economia de mercado", disse. "É um País com maturidade política", completou. 

Levy finalizou dizendo que a mensagem será de um Brasil dinâmico, ágil e atento às demandas da população. (Laís Alegretti, Adriana Fernandes, Renata Veríssimo, Victor Martins e João Villaverde)

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