FELIPE RAU/ESTADÃO
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Não há sinais de retomada do emprego na indústria de SP, diz Fiesp

Indústrias fecharam 41 mil empregos no Estado em 2016, até maio, e preveem eliminar um total de 165 mil vagas até dezembro

Suzana Inhesta, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2016 | 12h07

SÃO PAULO - A indústria paulista eliminou 7,5 mil vagas em maio para um patamar 0,33% menor do que em abril de 2016, em cálculos sem ajuste sazonal, e 0,57% mais baixo, com ajuste sazonal. No ano, a diminuição foi de 1,79%, com um total de 41 mil empregos fechados. Frente a maio de 2015, o recuo foi de 9,73%, marcando a 56ª queda consecutiva mensal nessa base de comparação. 

Os dados são do Indicador de Nível de Emprego da Indústria Paulista, divulgado nesta terça-feira pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon), da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

Conforme a Fiesp, em nota, não há nenhum sinal de uma retomada de emprego no Estado. O gerente do Depecon, Guilherme Moreira, informou que a perda de vagas em maio foi ruim, no entanto, não é o pior maio da série e está abaixo das demissões registradas no início do ano no setor. "Janeiro, que é um mês em que normalmente se contrata, tivemos 14,5 mil demissões e em fevereiro, 13 mil", explicou. A projeção deste ano, de eliminação de 165 mil vagas de trabalho, foi mantida. Em 2015, as demissões totalizaram 235,5 mil vagas.

Ainda de acordo com Moreira, apesar da esperança de que o ritmo das demissões perca força, ainda não será suficiente para que se parem as demissões este ano. "O índice de confiança do empresariado tem melhorado, mas transformar isto em contratações leva um bom tempo ainda, porque o emprego é a última variável a reagir. Primeiro retoma a produção, o investimento, e por último será o emprego", disse.

Dos 22 setores pesquisados, 16 registraram queda no índice de emprego em maio, enquanto cinco tiveram alta e um ficou estável. Dos setores que mais registraram queda nos postos de trabalho estão Confecção de Artigos de Vestuário e Acessórios (-1,519 mil postos); Veículos Automotores, Reboques e Carrocerias (-1,330 mil postos) e Produtos de Borracha e Material Plástico (-1,043 mil postos). O destaque das contratações ficou para os setores Produtos Alimentícios (852 postos de trabalho), Produtos Diversos (243 postos) e Coque, Derivados de Petróleo e Biocombustíveis (180 postos).

Na análise por regiões, 12 tiveram crescimento do nível de emprego, dentre elas Matão (3,20%); São Carlos (1,36%) e Jaú (0,92%). Os destaques para as demissões, por sua vez, foram as regiões de Araraquara (-1,60%), Araçatuba (-1,36%) e Bauru (-1,20%). Neste caso, as perdas foram influenciadas pelo setor de Confecção de Artigos de Vestuário e Acessórios.

Expectativas. Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta sexta-feira, aponta que o setor ainda apresenta baixos indicadores de produção e utilização da capacidade instalada, mas as expectativas dos empresários começaram a melhorar.

A produção da indústria brasileira subiu em maio para 45,5 pontos, ante 42,4 pontos em abril. Em maio de 2015, a produção registrava 41,7 pontos. Na metodologia da pesquisa, os indicadores variam de zero a 100, sendo que valores abaixo de 50 indicam recuo na produção. Porém, quanto mais próximos dos 50 pontos, menor a queda e sua disseminação entre os setores.

Com relação à utilização da capacidade instalada (UCI), a pesquisa mostra que a ociosidade no parque industrial se manteve estável, em 64%. Em maio de 2015, ela estava em 66%. O indicador que mede a UCI efetiva em relação à usual ficou em 35,1 pontos em maio, ante 34,7 pontos em abril. Em maio de 2015, ela estava em 35,6 pontos.

As expectativas dos empresários industriais, por sua vez, melhoraram em relação aos próximos seis meses em todos os indicadores pesquisados. A expectativa em relação à demanda subiu para 51 pontos em junho, ultrapassando a barreira dos 50 pontos pela primeira vez desde fevereiro de 2015. Esse indicador estava em 47,8 pontos em maio e 46,7 pontos em junho de 2015.

As expectativas em relação à quantidade exportada atingiram 52,5 pontos em junho, ante 50,7 em maio e 48,4 pontos em junho do ano passado. O indicador de compras de matéria-prima subiu para 48,5 pontos, ante 45,7 pontos em maio e 44,1 pontos em junho. 

Em relação ao número de empregados, as expectativas aumentaram para 45,3 pontos em junho, ante 43,6 pontos em maio e 42,1 pontos em junho. Em relação à intenção de investimento, as expectativas aumentaram para 41,2 pontos em junho, ante 39,4 pontos em maio e 43 pontos em junho do ano passado.

(Com informações de Anne Warth, da Agência Estado)

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