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'Não há sucesso duradouro sem bater metas'

Líder da empresa especializada em soluções para gestão de operações de transportes fala sobre sua passagem para a função executiva

Entrevista com

CLÁUDIO MARQUES, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2013 | 02h14

O pernambucano Marcio Tabatchnik Trigueiro, hoje com 39 anos, deixou sua cidade, Recife, aos 16 anos de idade para cursar engenharia mecânica aeronáutica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP). Era o início de um trajeto que culminaria numa bem-sucedida carreira. O início foi na consultoria McKinsey, onde entrou em janeiro de 1996. Três anos e sete meses depois, deixou a empresa para cursar um MBA em prestigiada Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Voltou de lá em 2001 e entrou na GP Partners. Três anos depois, tornou-se um dos sócios da empresa de private equity e passou a participar de conselhos de administração de empresas compradas pela GP. Há dois anos, tornou-se presidente da Sascar, após a compra da organização por sua empresa. A seguir, trechos da entrevista.

Você acha que fez uma trajetória rápida?

Veja, houve pessoas que se tornaram sócias mais velhas e outras mais jovens do que eu. Sempre achamos que poderíamos ter feito mais rápido...

Como foi participar dessas empresas e desses conselhos?

Eu acho que morremos quando paramos de aprender. Cada época teve um aprendizado. Eu brinco dizendo que, até me formar no MBA, eu estava só estudando, porque a McKinsey também é uma excelente escola. Lá, eu tive a chance de ver várias empresas, em várias situações, vários setores. E os dez anos em que eu fiquei na GP me permitiram, fundamentalmente, aprender a ver uma empresa como dono - o que eu era de fato, sócio da empresa que era a acionista majoritária. Realmente, eu era a cara do dono da empresa, e isso permite um grande aprendizado. Porque, quando se é dono, você não tem outra agenda além de defender o melhor interesse de longo prazo para a empresa. Às vezes, quando você é executivo ou acionista minoritário - e quer valorizar a ação em seis meses para vender a sua participação e ganhar dinheiro -, é uma coisa. Mas, quando você é acionista de longo prazo, controlador da empresa, sua agenda de longo prazo é muito alinhada com a agenda da empresa. Eu acho que esse foi o grande aprendizado que eu tive na GP. E isso, quando você muda para uma posição como a que estou hoje, que é de executivo como número um da Sascar, é muito positivo.

Por quê?

Porque faz com que você tenha sempre uma cabeça de dono. Você não vai sacrificar o longo prazo da empresa para bater meta de curto prazo, não vai ser irresponsável em práticas, sejam trabalhistas, civis, fiscais ou mesmo de gestão de pessoas. Não vai negligenciar investimentos necessários em tecnologia apenas para fechar o número do trimestre, porque você sabe que está nisso por longo prazo. Foi o grande aprendizado que tive nos últimos 12 anos.

Houve algum baque ao passar de conselheiro para executivo?

Acho que o grande baque inicial é que você tem de lidar tanto com aspectos mais glamourosos, como a estratégia da empresa, o posicionamento dela perante o mercado e tudo o mais (o que é legal), quanto com aspectos mundanos. É preciso lidar com uma série de problemas no dia a dia, e o Brasil é um país complicado de se fazer negócios de uma certa forma. E eu acho que a outra grande mudança é que você, de fato, passa a fazer muita gestão de pessoas. Quando se está no conselho de uma empresa, não se faz gestão de ninguém. Mas, quando se está no dia a dia, não só se faz a gestão da sua equipe direta, que são os diretores, mas, no meu caso em particular, eu sou o cara que diz para onde a empresa vai, que comunica isso e busca formar a cultura da empresa. Então, se está sempre no holofote. Eu acho que esse nível de exposição e de responsabilidade eu não tinha no passado. É preciso estar sempre atento, e consome bastante energias.

E teve alguma grata surpresa nessa troca de papel?

Eu acho que uma das diferenças principais, nesta posição de presidente, é que você de fato nota o impacto de suas ações, definições e iniciativas no resultado da companhia num prazo relativamente mais curto. Pode continuar no caminho ou tomar outras iniciativas. O envolvimento com o resultado do dia a dia é muito gratificante. E essa proximidade entre a tomada de decisão e o resultado é única para o executivo. No conselho, tomamos decisões muito mais estratégicas, macro, que não têm tanto impacto no dia a dia.

A experiência na presidência pode influenciar uma eventual volta sua para um conselho?

Se eu voltar para um conselho, acho que teria uma contribuição muito mais madura para o presidente da empresa, muito mais refletiva em saber distinguir aquilo que realmente o conselho pode ajudar e o que não adianta entrar no detalhe. Porque é muito arriscado o conselheiro querer entrar no detalhe, gerenciar a companhia no dia a dia. Essa é a função do presidente da empresa. Hoje, consigo ver muito melhor o papel de um conselheiro como o de um cara que está ali para apoiar, discutir, trocar ideias etc. E, tendo uma experiência de gestão do dia a dia, saberia distinguir muito melhor os papéis. Seria um conselheiro muito mais contributivo para um presidente hoje do que há dois anos.

O que deixa um executivo satisfeito? Só resultados?

Um executivo eu não sei, mas no meu caso existem duas coisas que me deixam muito realizado. Uma, eu acho que não dá para abrir mão disso, é bater metas, ou seja, entregar o resultado que você se propôs a entregar. Não existe sucesso de longo prazo para executivo que não bate meta com um time fazendo as coisas certas. Liderança é você bater a meta como time, do jeito certo. É fundamental, nada substitui isso. Adicionalmente, uma das coisas que me deixam feliz hoje na Sascar é ver que, além de estarmos conseguindo bater as metas, uma avaliação de clima feita pela Hay coloca a empresa entre os top 10 do Brasil. E também ver que, no meu nível de diretoria e gerência, o turnover voluntário, até o momento pelo menos, é zero. Me dá muita felicidade. Fico muito feliz de ver que nosso time é muito engajado, muito motivado. Isso para quem assumiu a empresa há dois anos, construiu um time, é muito bacana.

Quais são suas dicas para quem está iniciando a carreira?

Nos primeiros cinco a dez anos, após a graduação, o foco é aprender. É buscar boas escolas muito mais do que bons salários. Então, o foco é aprender, encontrar empresas excelentes que possam ensinar. É melhor aprender e errar com o dinheiro dos outros do que com o seu. Acho que é um erro as pessoas que decidem, assim que se formam, ou mesmo depois do MBA, com base no 'onde eu vou ganhar mais dinheiro agora'. A hora de ganhar dinheiro é mais um pouco à frente na vida.

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