Não há um consenso sobre a decisão do Copom

O mercado está longe de um consenso sobre qual será a decisão do Copom na sua reunião mensal que começa hoje e termina amanhã. O único consenso entre eles é que o Copom manterá a Selic sem viés. Entre aqueles que acreditam na manutenção dos juros, Marcelo Cypriano, do BankBoston, disse que o crescimento da economia brasileira fará com que a decisão do Copom migre para fatores domésticos, já que o cenário internacional desperta menos preocupações neste momento. "O Copom já cortou bastante os juros. Agora, ele deve esperar para ver como a economia está reagindo aos cortes para, mais na frente, poder reduzir novamente os juros com mais segurança", explicou Cypriano. Os indicadores divulgados recentemente, que mostram o aumento da atividade econômica, também preocupam Mauro Schneider, do ING Barings. "É claro que é positivo quando a economia cresce. Mas esses números indicam a conveniência de uma pausa na queda dos juros para avaliar qual é o quadro mais provável de crescimento", disse Schneider. Ele cita, por exemplo, o nível de produção industrial em dezembro, a arrecadação federal em janeiro, as vendas do comércio, além do aumento das importações. "A calibragem da política monetária está mais fina agora", afirmou. O nível de atividade também leva Tomás Brizola, da BBM Investimentos, a apostar na manutenção da Selic. Ele ainda cita a alta dos preços do petróleo como fator de cautela para o Copom. Robério Costa, do Citibank, acha que o Copom deverá preferir a cautela porque, segundo ele, o índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro "já mordeu um pedaço da meta de inflação em torno de 4% para este ano". No mês passado, o IPCA ficou em 0,57%. Já Masaru Nakayasu, do Banco de Tokyo Mitsubishi, entre outros fatores, justifica sua expectativa de manutenção da Selic apontando a "bagunça" no Congresso Nacional, com as acusações de corrupção entre integrantes da base governista. Otimistas, mas nem tantoEntre os economistas que apostam que o Copom reduzirá a Selic em 0,25 ponto porcentual, Odair Abate, do Lloyds TSB, cita principalmente três motivos para explicar sua expectativa: a inflação em queda, a redução dos juros internacionais e os números fiscais do governo, considerados positivos. Segundo ele, a atividade econômica aquecida e a queda de 1,25 ponto porcentual promovida pelo Copom ultimamente "sugerem que o Copom acredite que está na hora de parar de reduzir os juros", afirmou. Mas, segundo Abate, ainda há espaço para que a taxa caia dos atuais 15,25% para 15% ao ano. Para Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio, todas as observações listadas na última ata do Copom, como redução dos juros nos EUA e aumento de confiança na economia brasileira no mercado externo, prosseguem inalteradas. "A redução (de 0,25 ponto) poderá ocorrer com absoluta tranquilidade", avalia. O aquecimento da demanda é minimizado por Cunha. Ele acredita que a inflação deste ano ficará a baixo de 4%, mesmo com aquecimento da economia. Octavio de Barros, do BBV Banco, tem uma posição peculiar sobre a reunião do Copom. Ele acredita que o Copom deverá reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual, mas, na sua opinião, a taxa não deveria ser reduzida. Ele argumenta que "este é um momento propício à observação" e, portanto, seria "mais conveniente" manter a taxa inalterada, sem viés. Barros diz que já há indícios, ainda que incipientes, de um aquecimento da economia do País "muito mais rápido do que gostaríamos", o que ele considera "um temor que deve ser monitorado". Apesar disso, ele crê na redução de 0,25 ponto porque, na sua avaliação, há "pressões muito grandes para que seja sancionado um certo otimismo". Para o economista, o Banco Central e o governo avaliam que, caso não ocorra a redução, haverá uma reversão do otimismo no País, fundamental para o aumento da fatia dos papéis prefixados. Aposta em corte de 0,5 ponto porcentualOs quatro economistas "mais otimistas" esperam uma redução de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic. Rogério Mori, do Banco Santos, diz que "ainda é cedo para o Banco Central se preocupar com o maior aumento da demanda agregada em relação à oferta". Segundo ele, a inflação está produzindo bons resultados. Em relação ao cenário político conturbado no Congresso, Mori acredita que "tudo voltará à normalidade depois das eleições", que coincidentemente acontecem nesta quarta-feira, mesmo dia em que o Copom divulgará o resultado da sua reunião. "Não cortar os juros agora seria perder uma oportunidade", disse. Para Costa Rego, do Banco Sulamérica, há espaço para a Selic cair 0,50 ponto. "A economia norte-americana embute uma redução de juros até março", afirmou, lembrando também que os spreads dos títulos da dívida brasileira estão menores no mercado internacional. Ele lembra também que o dólar, que vinha causando preocupação por ultrapassar a casa de R$ 2,00, perdeu o fôlego na semana passada. Já Luís Felipe, da Tudor Asset Management, não vê problemas na possibilidade de uma redução do juro pressionar o câmbio. "O dólar mais alta ajudará a melhorar calcanhar de Aquiles atual da economia, que é a balança comercial", afirmou. Ana Cristina Costa, do BCN Alliance, não vê problemas no desempenho da balança comercial, que acumula déficit de US$ 462 milhões este ano. "A balança não está tão ruim assim. E o governo pode financiar suas necessidades externas sem ter que manter os juros altos", afirmou. Ela lembra que o próprio Copom já divulgou em relatório que é possível atingir a meta de 4% de inflação este ano com juros mais baixos que os atuais. Para Ana Cristina, juros mais baixos afastam capitais de curto prazo, que não interessam, e atraem investimentos diretos, que são aqueles que interessam.

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