'Não haverá formação de gargalo de oferta', diz BNDES

Luciano Coutinho acrescenta que investimentos estão expandindo a capacidade instalada no País

Adriana Chiarini, da Agência Estado,

17 de outubro de 2007 | 17h11

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse que "não haverá formação de gargalo de oferta, salvo em algum setor específico, mas não generalizada". Ele argumentou que os investimentos estão expandindo a capacidade instalada. "Está havendo reequipamento das fábricas e estamos nos preparando agora para uma onda de novas fábricas", disse.   Coutinho disse também que o banco tem "um foco muito forte em infra-estrutura para remover qualquer dúvida que possa haver sobre a sustentabilidade do crescimento". Citou a grande demanda dos setores de energia elétrica, telecomunicações, logística e transporte. Contou que algumas das empresas vitoriosas no leilão de concessão de rodovias na semana passada "já vieram bater à nossa porta". De acordo com ele, os financiamentos do BNDES contribuíram para o sucesso do leilão.   Outro foco da instituição destacado por Coutinho é a inovação tecnológica. É intenção do BNDES aproveitar a onda de investimentos para isso. "É muito mais fácil promover a inovação quanto está se reequipando fábricas", disse.   Ele afirmou pela manhã em palestra que a prioridade do banco será para a inovação e não meramente para o aumento da capacidade produtiva, a Formação Bruta de Capital Fixo. Em entrevista em seguida, já à tarde, explicou que esse apoio se dará de forma positiva, "não punitiva" e que não faltará recurso para a FBCF.   Coutinho lembrou projeção do BNDES que apontam que a taxa de investimento produtivo (Formação Bruta de Capital Fixo), que ficou em 17,7% do PIB no segundo trimestre deste ano, estará acima de 21% em 2010. Também citou estudo realizado no ano passado que mapeou investimento de R$ 1.050 trilhão em 16 setores escolhidos da economia para o período entre 2007 e 2010.   O banco está atualizando este estudo para o período 2008 a 2011 e os resultados preliminares indicam que os investimentos estão crescendo ainda mais, adiantou Coutinho. "Há um ciclo de crescimento em pleno desdobramento, que tem no investimento uma mola propulsora", disse. Ele enfatizou a necessidade de que os investimentos continuem crescendo acima da média da economia, para aumentar a taxa de expansão do PIB.   Liquidez   O presidente do banco disse também que o BNDES quer criar liquidez no mercado secundário de debêntures. "Interessa suportar o crescimento das debêntures corporativas", afirmou. "O mercado tem estado muito aberto e isso ajuda.O crescimento do mercado de ações e de debêntures corporativas é importante", disse.   A instituição está preparando um outro indicador de desempenho que inclua o apoio que a instituição dá a empresas por debêntures ou por incentivo a abrirem o capital, anunciou. Atualmente, o banco mede seu desempenho basicamente pelos recursos liberados para crédito.   "Tem que olhar também as operações de mercado induzidas pelo BNDES, que não aparecem",disse Coutinho. "O que nos interessa é viabilizar um ciclo ascendente de investimento do setor privado e do setor público também", afirmou.                                                                      Consultorias   O presidente do banco acrescentou que a instituição pretende montar um fundo para a contratação de consultorias e especialistas para o desenvolvimento de projetos de engenharia para o Brasil e a integração sul-americana. Para tanto, o País contaria com o apoio de instituições multilaterais como o International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial para o setor privado.   "Gostaria de ter pelo menos U$ 10 milhões", afirmou Coutinho. A linha de crédito a ser oferecida pelo fundo poderá financiar tanto projetos no País quanto em outros países.

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