Não haverá "Proer" para distribuidoras, alerta ministra

A ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, afirmou hoje que o governo federal não pretende criar um "Proer", para as distribuidoras, em uma alusão ao Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro para evitar uma crise do sistema em 1995. De acordo com ela, a crise enfrentada pelo segmento decorre do alto preço dos ativos adquiridos durante o processo de privatização de algumas empresas, quando a moeda brasileira estava valorizada em relação ao dólar. "As empresas adquiriram os ativos a um preço muito elevado, apostando que o real jamais se desvalorizaria. Apostaram errado e agora estão arcando com o prejuízo", avalia. Embora considere que o mercado consumidor ainda não tenha se recuperado após o racionamento de energia em 2001 e reconheça o alto grau de alavancagem das empresas, Dilma Rousseff afirmou que "não é viável um Proer para as distribuidoras". A alternativa estudada pelo governo federal seria uma forma de recapitalização das companhias, em um esforço conjunto entre os acionistas, os bancos privados e o BNDES, de forma a alongar o perfil de endividamento e torná-lo mais saudável. Ela não soube estimar qual o volume de recursos seriam necessários e garantiu que a capitalização será feita de forma "tripartite".Riscos do setor elétricoDilma Rousseff disse também que o governo federal está estudando formas de diminuir os riscos do novo modelo do setor elétrico. As empresas de distribuição alegam que, na proposta inicial, não existe uma política tarifária consistente e que o segmento poderá arcar sozinho com a inadimplência dos grandes consumidores. De acordo com ela, o governo estuda diversas alternativas. "Ainda existem várias hipóteses que estão sendo avaliadas pelo ministério", afirmou. Segundo ela, os dois assuntos considerados prioridade pelo MME são a capitalização das distribuidoras e a solução para a tarifa de energia. Outro ponto que pode ser considerado é qual seria o índice de reajuste a ser aplicado. A conclusão do atual modelo visa evitar o desequilíbrio financeiro das empresas. "A ninguém interessa o desequilíbrio financeiro, pois os impactos poderão se refletir no aumento das tarifas ou na queda dos investimentos", disse.

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