'Não houve crítica ao nosso trabalho'

Analista que previu PIB de 1,5% espera 2013 melhor

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h05

O corte do Banco Central (BC) na projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano abriu uma oportunidade para o carioca Nilson Teixeira ir à forra. Na terceira semana de junho, o time de economistas liderado por ele no banco Credit Suisse foi criticado publicamente por dois ministros de Estado por rebaixar a previsão de alta do PIB de 2012 para 1,5%.

"É uma piada", disparou, na ocasião, Guido Mantega, da Fazenda. "Acho que a visão que os europeus têm é necessariamente pessimista e negativa, muito influenciada pelo clima lá", emendou Fernando Pimentel, do Desenvolvimento.

A nova projeção do BC para o PIB - alta de 1,6% - não abalou a tranquilidade habitual de Teixeira. "(As declarações) não me pareceram uma crítica direta ao trabalho dos analistas do Credit Suisse. Foram apenas fruto de avaliações distintas sobre a economia brasileira", disse ele, em conversa telefônica diretamente de Londres, onde participa de encontros com investidores.

"Além disso, o próprio ministro Mantega já disse em algumas ocasiões que uma de suas funções é passar confiança sobre o desempenho da economia."

Teixeira lembra que as projeções do Credit Suisse para o PIB de 2012 vêm diferindo não só das expectativas do governo, mas de grande parte do mercado.

"Em novembro de 2011, projetávamos expansão de 2,5% para 2012, enquanto muitos analistas falavam em pelo menos 4%."

Na avaliação do economista, a explicação para a divergência está nos investimentos. "Desde o ano passado, acreditávamos que a crise externa, associada ao desempenho da indústria bastante tímido, faria com que os investimentos continuassem a desacelerar", afirmou.

Para 2013, o Credit Suisse estima um crescimento em torno de 4%. "Mas é preciso frisar que, na conjuntura atual, está difícil projetar até mesmo o crescimento do próximo trimestre", disse. "Em 2013, a expansão pode ser de 2% ou de 5%."

Entre as variáveis que, segundo Teixeira, dificultam a tarefa dos analistas que se debruçam sobre os números estão a situação fiscal indefinida dos Estados Unidos no ano que vem, o ritmo de desaceleração da China e o desenrolar da crise europeia.

Ainda que a situação externa permaneça tensa, Teixeira acredita que o Brasil pode se sair melhor porque o governo tem atacado pontos vitais para destravar os investimentos - como as concessões na área de transporte e logística.

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