‘Não me venham com cortes de luz’, diz Lula

Ele determinou adoção das medidas que forem necessárias para que não haja interrupções no fornecimento

Vera Rosa, de O Estado de São Paulo,

10 de janeiro de 2008 | 20h33

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 10, a um grupo de ministros que não quer saber de racionamento e muito menos de corte de energia elétrica em seu governo. Ao chegar para a reunião de coordenação política, no Palácio do Planalto, Lula foi taxativo: afirmou que pretende ver todos os problemas resolvidos num curto espaço de tempo e estranhou as avaliações discrepantes na equipe sobre a possibilidade de apagão. "Não me venham cortar luz dos consumidores", esbravejou o presidente, que determinou a adoção das medidas que forem necessárias para que não haja interrupções no fornecimento de energia.   Veja mais  Governo descarta racionamento e aciona térmicas no Sudeste  Ministro contesta diretor da Aneel e descarta novo apagão até 2009  Indústria já estuda medidas para evitar prejuízos de 2001  Inpe também alerta para racionamento  Os níveis dos reservatórios    Na campanha eleitoral de 2002, Lula foi um dos maiores críticos do apagão do final do governo Fernando Henrique Cardoso. O então coordenador da equipe de transição, Antônio Palocci, ex-ministro da Fazenda e hoje deputado, chegou a dizer na época que a administração do tucano sofrera um "apagão do planejamento".   Convocada por Lula para fazer uma exposição sobre o assunto, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, garantiu que o sistema energético do Brasil não só é seguro como conservador. "Não existe risco de apagão", assegurou a ministra, que retornou nesta quinta de férias.   Com a autoridade de quem já comandou a pasta de Minas e Energia, Dilma lembrou que os sistemas de controle e transmissão de energia são interligados e monitorados. Mais: assegurou que é possível antever problemas com margem de segurança necessária para tomar providências.   Avaliações mais amenas, mas contraditórias   Apesar das declarações do diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, de que o racionamento de energia "não é impossível", a avaliação dos principais auxiliares de Lula sobre a crise é bem mais amena.   Na reunião, Dilma afirmou que os reservatórios das hidrelétricas não estão em nível dramático, como sugeriu Kelman. A explicação para os problemas é de um "quadro atípico" de falta de chuvas.   Lula não entendeu até agora, porém, por que Kelman fez o alerta sobre a possibilidade de racionamento. "Não podemos ficar dependendo de chuvas", disse o presidente, em conversa reservada.   De qualquer forma, embora não considera a situação dramática, o governo está preocupado. Na quarta-feira, ao saber do prognóstico desanimador do diretor da Aneel, Lula cobrou explicações.   O ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, chamou Kelman para uma conversa. Acompanhados do diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (NOS), Hermes Chipp, e do presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, os dois foram parar no gabinete do presidente.   Depois de ouvir todos os lados, Lula ainda mexeu no vespeiro na reunião desta quinta, que também contou com a presença do vice-presidente, José Alencar. Participantes do encontro contaram que o presidente ainda continuava intrigado com as diferentes avaliações sobre o mesmo tema.

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