''Não mexam nos direitos da categoria''

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2010 | 00h00

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sergio Nobre, o movimento sindical tem de ser forte, não para fazer greve, mas para evitar que os direitos dos trabalhadores sejam desrespeitados.

As grandes greves no ABC pertencem ao passado?

Elas aconteciam com grande facilidade porque não havia nenhum canal de negociação. Os trabalhadores faziam greve para serem ouvidos. Hoje, os conflitos trabalhistas continuam a existir, mas a situação é outra. Hoje, se negocia todo santo dia no âmbito das empresas. Nosso sindicato deixou de ser um sindicato de data-base, que só conversa com as empresas uma única vez por ano, na renovação da convenção coletiva de trabalho, como diz a lei.

Alguns sindicalistas dizem que greve é sinal de modernidade.

Muito ao contrário. O sindicato deve ser forte, não para fazer greve, mas para que não se atrevam a mexer nos direitos da categoria. Se uma categoria vive em greve, é porque ela vive tendo seus direitos desrespeitados.

Como é sua relação com os empresários?

É de seriedade e respeito. Como se sabe, trabalhadores e empresários têm uma relação difícil, porque quem paga o salário, acha que é caro. Agora, quem recebe, acha pouco. Essa contradição só pode ser resolvida por meio de negociações permanentes. Por isso, é muito importante ter uma relação de respeito. Até porque não há negociação quando não existe respeito.

Lula foi um exemplo?

Nunca me passou pela cabeça ser dirigente de sindicato, muito menos presidente. Mas foi um discurso de Lula, que eu ouvi quando tinha 14 anos (hoje, tem 45) e ainda era um aprendiz na Scania, que despertou meu interesse para a vida sindical. Ele disse que o povo brasileiro trabalhava demais, acorda às quatro da manhã, pega três ônibus para ir para o trabalho, chega em casa à noite e ainda encontra tempo para cuidar do filho. Mas observou que o povo brasileiro tinha um defeito: ele produz riqueza, mas não discute o que está sendo feito com a riqueza que ele gera. E afirmou que isso só poderia ser feito por meio de uma organização, e não de forma individual. E eu comecei a compreender o papel do sindicato.

Seu mandato termina em julho de 2011. Quais sãos seus planos?

Se a categoria considerar que fiz um bom trabalho, a intenção é ter um novo mandato.

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