‘Não podemos abrir a guarda’, diz Levy

Em evento no Ceará, Joaquim Levy afirmou que está trabalhando para aumentar a arrecadação dos Estados

Francisco Carlos de Assis, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S. Paulo

01 de agosto de 2015 | 16h27

FORTALEZA - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, voltou a afirmar que o governo não pode abrir a guarda diante da frágil situação da política fiscal. Ele falou com os poucos jornalistas que participaram na sexta-feira à noite do jantar oferecido ao ministro no Palácio da Abolição, sede do governo cearense, após o evento que reuniu senadores, deputados federais, prefeitos e secretários do Ceará.

“Temos que prestar atenção e não podemos abrir a guarda no financeiro. Estamos fazendo trabalhos na área da arrecadação. Mandamos algumas medidas adicionais para o Congresso e uma delas prevê mais receitas para os Estados fazerem a transição durante a reforma do ICMS”, disse Levy ao ser questionado sobre a redução da meta de superávit primário de 1,1% para 0,15% do PIB e também sobre o déficit primário do setor público consolidado, registrado em junho, de R$ 9,3 bilhões.

No segundo semestre o governo vai ficar bastante atento, segundo o ministro. Embora tenha afirmado que já há alguns setores que estão mostrando um pouquinho de recuperação. 

“Eu acredito também que ao longo deste segundo semestre vamos começar a ver alguns retornos redimensionados. As empresas se ajustaram, conversaram com os fornecedores e com os clientes. Eu acho que é isso, precisamos dar tempo para o pessoal se ajeitar, rearrumar o jogo e depois recomeçar”, considerou o ministro.

Selic. Perguntado se considera excessiva a alta da taxa básica de juros, a Selic, Levy afirmou que os juros subiram porque no curto prazo a inflação deste começo de ano foi bastante significativa. “Se você olhar instantaneamente, os juros estão até abaixo da inflação. Nos próximos meses temos que ficar muito atentos para que aconteça o que hoje já está sendo visto por muitos: que a inflação voltará para a casa dos 5%, 5,5%”, declarou.

Inflação. Pela visão do ministro, se no ano que vem a inflação for de 5%, 5,5%, a economia terá uma recuperada grande porque o País passará a ver um novo cenário de estabilidade. 

“Todo desafio é conseguir fazer isso agora, continuar adotando as medidas necessárias, ver o segundo semestre com muita tranquilidade, cobrindo o Congresso para avançar com as pautas essenciais para o povo brasileiro”, listou Levy.

Efeitos secundários. Segundo ele, os juros são para combater os efeitos secundários. “A eletricidade subiu, mas não queremos que o quitandeiro, o borracheiro, o cara da loja de turismo suba seus preços. Então a política monetária é feita para que os efeitos secundários de um choque não contamine o resto da economia”, explicou. 

É por isso, disse o ministro, que o Banco Central tem de estar vigilante. “Porque se a eletricidade sobe e eu aumento o meu preço, você aumenta seu preço. Aí pronto: é a bolsa da cidadã, é o bolso do cidadão e a dona de casa que começa a sofrer”, afirmou Levy. 

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