Gabriela Biló/Estadão
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coluna

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'Não podemos entrar em briga tola, infantil contra a globalização', diz Mansueto Almeida

Segundo o secretário do Tesouro, Brasil precisa expandir a presença no mercado internacional; ele também afirmou que a dívida bruta pode chegar a 94% do PIB

Anne Warth, O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2020 | 21h55

BRASÍLIA - O secretário do Tesouro NacionalMansueto Almeida, afirmou que o Brasil precisa expandir a presença no mercado internacional e aumentar tanto as exportações quanto as importações. Ele afirmou que a tarefa será um desafio, já que vários países do mundo já estavam se tornando mais protecionistas antes mesmo da pandemia da covid-19. O secretário, no entanto, defendeu a globalização e o resgate da Organização Mundial do Comércio (OMC) e disse que a solução para a crise não é se fechar.    

"Precisamos aprender a cooperar no comércio internacional, não nos fechar", afirmou Mansueto, em webinar promovido pelo site Focus.jor. "Não podemos entrar numa briga tola e infantil contra a globalização. Todos perderão com isso", acrescentou.    

Segundo Mansueto, após a crise da covid-19, o mundo voltará a procurar investimentos rentáveis, e o setor privado precisa ter confiança no Brasil para aplicar recursos em infraestrutura. Essa confiança, afirmou Mansueto, também pode influenciar o câmbio. Ele ponderou, no entanto, que esse assunto é da alçada do Banco Central. "Se o câmbio vai recuar mais ou não, depende de nós criarmos um ambiente favorável aos investimentos."    

Mansueto reconheceu que o real foi a moeda que mais perdeu valor frente ao dólar nos últimos meses. Ele mencionou a pandemia e também o receio de investidores em relação às disputas políticas e o receio sobre a aprovação de reformas. "Para onde vai o câmbio é uma pergunta em aberto", afirmou.    

Ainda sobre os efeitos da globalização, ele disse que a divisão do trabalho aumentou a produtividade e foi boa para vários países, inclusive para o Brasil, pois barateou os preços de itens que antes eram considerados artigos de luxo, como telefones. "Se queremos produzir tudo dentro da fronteira, teremos produtos ruins e muito caros", afirmou Mansueto.    

O secretário ressaltou ainda a importância da construção de acordos comerciais pela OMC, fundamentais, segundo ele, para a construção do estado de bem estar social no pós-guerra. "Precisamos respeitar fóruns e aprender a cooperar no comércio internacional, não nos fechar", afirmou. "Proteção não leva a mais crescimento. Não adianta aumentar tarifas. Tenho muito medo e temos de ter cuidado com essa onda protecionista. Todo mundo vai perder."  

Reforma tributária

O secretário do Tesouro disse que o governo vai precisar de muito diálogo político para aprovar uma reforma tributária. Segundo ele, o desafio é reduzir o número de impostos e acabar com a cumulatividade e a regressividade, além de simplificar as regras tributárias para que elas sejam sujeitas a interpretações e mudanças frequentes.  

 "O que se paga em imposto de renda deve depender da renda, e não do tipo de contrato de trabalho", afirmou. Sobre a ajuda a Estados e municípios em meio à pandemia, Mansueto afirmou que essa é uma obrigação da União e que tanto a equipe econômica quanto o presidente Jair Bolsonaro entendem isso. O secretário afirmou que a maioria dos governadores entendeu a necessidade de não reajustar salários.    

A ajuda, segundo Mansueto, será de R$ 60 bilhões, dividida em quatro transferências, considerando o período mais crítico da pandemia. Além disso, os Estados não precisarão pagar o serviço da dívida até o fim do ano e também poderão renegociar termos com bancos públicos. 

Dívida bruta

Mansueto também disse que a dívida bruta deve chegar a 94% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano por causa das medidas para mitigar os efeitos do coronavírus, mas que deverá voltar a cair com medidas de ajuste fiscal e reformas a serem retomadas em 2021.

"O que importa ao investidor é saber que ele vai receber lá na frente e que em determinado momento a dívida começará a cair".

De acordo com o secretário, com as medidas para enfrentar efeitos econômicos da pandemia e o aumento dos gastos em saúde, o déficit primário deve atingir neste ano R$ 708,7 bilhões, ou 9,9% do PIB.

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