Pilar Olivares/Reuters
Pilar Olivares/Reuters

'Não posso falar hoje, o pau está comendo', brinca Guedes em evento no Rio

Ministro da Economia se esquivou de entrevista em chegada à cerimônia de posse da diretoria da Susep

Renata Batista e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2019 | 18h41

RIO - Em tom de brincadeira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, se esquivou dos jornalista em sua chegada para a cerimônia de posse da diretoria da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Solange Paiva Vieira. "Não posso falar hoje, porque parece que o pau está comendo", disse ele, à distância, para a imprensa, que perguntava se ele daria entrevista antes ou depois da cerimônia.

Guedes chegou ao local do evento, na sede do órgão, com cerca de 40 minutos de atraso. Ele estava acompanhado de Solange Vieira, a nova superintendente da Susep. 

A declaração de Guedes é esperada sobretudo em um dia marcado pelo descontentamento manifesto do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que avisou o desembarque da articulação política da reforma da Previdência. Maia não teria gostado de um tuíte do filho de Jair Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, com críticas ao presidente da Câmara por adiar a tramitação do projeto anticrime.

Maia afirmou em entrevista ao BR18 que cabe ao governo conseguir os votos necessários para a aprovação da reforma da Previdência. O deputado disse que continua sendo um grande defensor da proposta e que vai defender o projeto. Mas que o papel de obter os votos cabe “ao presidente Jair Bolsonaro e aos seus ministros”.

O governo, por sua vez, saiu a campo na tentativa de acalmar os ânimos. Em Santiago, no Chile, onde participa de uma cúpula com líderes da América do Sul, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que está aberto para conversar e que não deu motivo para o parlamentar do Rio de Janeiro tomar essa atitude.

"Quero saber o motivo pelo qual ele está saindo", disse Bolsonaro após deixar o Palácio de La Moneda, sede do governo chileno. "Estou sempre aberto ao diálogo. Estou fora do Brasil. Quero saber o motivo, só isso e mais nada. Eu não dei motivo para ele sair [da articulação]", declarou.

Além disso, o presidente disse que a declaração do filho Carlos Bolsonaro, com críticas a Maia por adiar a tramitação do projeto anticrime, não é motivo para Maia ameaçar sair da articulação política. 

"Será que esse foi o motivo? Se foi esse o motivo, eu lamento, mas isso não é motivo." O presidente afirmou saber que 'todo o Brasil está indignado' com a demora na votação do projeto de lei anticrime.

Bolsonaro disse ainda que é "só conversando" que será possível trazer Maia de volta ao papel. "Você nunca teve uma namorada e, quando ela quis ir embora, o que você fez? Não pediu para ela voltar? Você não conversou?", perguntou a um jornalista. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.