Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

'Não queremos contato', diz caminhoneiro sobre negociação com o governo federal

Lideranças do Comando Nacional do Transporte afirmam que não aceitam negociar com o governo Dilma e pedem saída da presidente; ministro Edinho Silva considera que objetivo da greve é 'gerar desgaste político ao governo'

Gabriela Lara, correspondente, O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2015 | 14h40

PORTO ALEGRE - O caminhoneiro Fábio Luís Roque, uma das lideranças do Comando Nacional do Transporte (CNT), reforçou nesta segunda-feira, 9, que o grupo não pretende estabelecer nenhum tipo de diálogo com o governo federal para levar reivindicações dos transportadores autônomos a Brasília. "Não queremos contato", disse ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

O Comando Nacional do Transporte está organizando a paralisação iniciada nesta segunda-feira em várias regiões do Brasil. Diferente de mobilizações anteriores da categoria, desta vez o objetivo principal do movimento é provocar a saída da presidente Dilma Rousseff. "A pauta dos caminhoneiros existe, mas não é negociada com este governo podre, que já sinalizou que não vai atender (aos pedidos da classe) e aumentou o óleo diesel duas vezes este ano", falou. Tradicionalmente, os caminhoneiros defendem, entre outras coisas, o tabelamento dos preços do frete, a redução do valor do diesel e a melhoria das condições das estradas.

Roque é caminhoneiro da cidade de Santa Rosa, no noroeste do Rio Grande do Sul. Segundo ele, a paralisação é por tempo indeterminado e não tem volta. "Ou ela (Dilma) renuncia ou vai para o impeachment. Daí sim, quando o governo que está agora sair, vamos começar a tratar da nossa pauta", afirmou.

A declaração de Roque coincide com o discurso da principal liderança do CNT, o caminhoneiro Ivar Schmidt, de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Em mensagens postadas no Facebook, ele deixa claro que a principal reivindicação deste protesto é a saída da presidente Dilma. "Os caminhoneiros acordaram e vão acordar o País também. Não estamos mais fazendo paralisação por nós, agora é pelo Brasil", diz, em um dos vídeos disponíveis na página do movimento na rede social.

Nesta manhã, o ministro da Secretaria da Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva, minimizou a greve deflagrada pelos caminhoneiros. De acordo com ele, o Planalto encara a mobilização como um movimento "pontual" que tem o "objetivo único" de "gerar desgaste político ao governo". Edinho afirmou que, até o momento, nenhuma entidade representativa dos caminhoneiros apresentou alguma pauta de reivindicação ao Executivo. "Mas o governo está aberto ao diálogo sempre", ponderou.

Paralisações. Desde o início desta segunda-feira, a Polícia Rodoviária Federal Já registrou vias paralisadas pelos trabalhadores no Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e no Tocantins. Segundo uma mensagem que os caminhoneiros têm distribuído entre os participantes do movimento, a programação é bloquear quatro vias no Rio de Janeiro.

O CNT garante que não haverá interrupção no trânsito de ração animal, de cargas vivas (porcos, frangos e bois) e de leite a granel, bem como de remédios, oxigênio e alimentos para hospital. 

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