''Não queremos gerir essas empresas no dia a dia''

Timothy Geithner: secretário do Tesouro dos EUA; Para secretário,[br]socorro à General Motors é um uso ?legítimo e apropriado?[br]de recursos públicos

Lois Romano, The Washington Post, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2009 | 00h00

Assim como seu chefe, Timothy Geithner viveu no exterior quando jovem e está sempre pronto para jogar basquete. Mas o secretário do Tesouro nunca dividiu uma quadra com Barack Obama - e ele é rápido em admitir que pode não estar na liga do presidente. "O presidente é realmente bom em basquete", diz. "Acho que ele é melhor jogador de basquete do que eu."Os esportes são uma das poucas diversões de Geithner nestes dias em que ele chefia os esforços de Obama para ressuscitar a economia. Ele nos recebeu na elegante sala de recepção diplomática da Secretaria do Tesouro, onde as cadeiras de madeira exibem entalhes com o símbolo do dólar.Geithner, 47 anos, teve uma apresentação acidentada ao povo americano em relação a alguns impostos atrasados, e sua vida tem sido uma panela de pressão desde então. Mas ele foi aplaudido por admiradores em sua entrada no recente jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca e fica envergonhado quando lhe perguntam sobre a revista People ungi-lo como uma das "Belezas de Barack".O ex-presidente do New York Federal Reserve diz que estava ciente ao assumir o cargo no Tesouro de que poderia acabar como bode expiatório pelo aumento do desemprego e o recorde de execuções hipotecárias. Geithner descende de uma longa linhagem de servidores públicos: seu avô foi conselheiro do presidente Dwight D. Eisenhower.No início da próxima semana, ele se encontrará com autoridades chinesas para tratar de comércio e outros assuntos. Antes de partir, porém, tem uma crise mais doméstica para enfrentar - que poderá provocar nova concordata no setor automotivo. Mas isso é uma coisa boa, diz ele. A seguir, trechos da entrevista.O sr. está preparando terreno para a GM ser forçada à concordata, talvez já em 1º de junho? Bem, eu poria as coisas da seguinte maneira: o que estamos fazendo é ajudar essa companhia importante criando um plano de reestruturação com sacrifício compartilhado que permita que ela se torne viável. Achamos que isso é um uso legítimo e apropriado de recursos públicos, dado o custo que teria para a economia americana permitir o desaparecimento dessa empresa.O governo possui agora parte do setor de seguros, parte da indústria automobilística, parte do setor bancário. Como é possível se eximir das microdecisões quando se está tomando as grandes decisões sobre essas companhias? Essa é uma pergunta interessante. Não queremos gerir essas entidades no dia a dia. Não queremos possuir ação dessas companhias no longo prazo. O sr. disse que o programa para ajudar a aliviar os bancos de ativos tóxicos deveria estar pronto até julho. Teve de ir lá e vender isso a investidores privados e convencê-los de que é uma boa opção entrar no negócio com o governo, à luz do clima político e do que aconteceu com a AIG e com os bônus? Você está certa. Ainda existe algum receio sobre se, ao participar desses programas, você enfrentará alguma mudança nas regras do jogo, e isso ainda está causando um certo temor. Mas vamos trabalhar para limitar esse temor.O sr. foi selecionado pela ?People? como uma das "Belezas de Barack". É um elogio? Não é uma boa coisa para o secretário do Tesouro estar numa lista dessas.O sr. lê notícias a seu respeito? Não costumo ler sobre mim. Quando nos concentramos nas percepções, não fazemos a política certa.

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