FELIPE RAU | ESTADÃO CONTEÚDO
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‘Não recebi nenhuma indenização’

Antonio Eugenio da Silva, de 44 anos, trabalhou por 25 anos na Mabe; aos 28 sofreu um acidente e perdeu as cinco falanges dos dedos da mão direita ao operar uma prensa

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2016 | 05h00

Há 25 anos na empresa, Antonio Eugenio da Silva, de 44 anos, foi transferido para a unidade de Hortolândia quando a Mabe, depois de comprar o grupo BHS, dono das marcas Bosch e Continental, fechou a fábrica no bairro da Mooca, em São Paulo, e concentrou a produção de refrigeradores em uma moderna planta na cidade do interior, que iniciou operações em 1997.

Ainda na BSH, Silva perdeu as cinco falanges dos dedos da mão direita ao operar uma prensa, aos 28 anos. Ficou afastado por 11 meses, e depois voltou ao trabalho. “Não recebi nenhuma indenização da empresa”, diz Silva, que passou a trabalhar como operador de empilhadeira.

Por vários anos ele viajava diariamente de São Paulo, onde mora com a esposa e duas filhas, para Hortolândia. No ano passado, alugou uma casa na cidade para ficar durante a semana, mas agora não consegue pagar o aluguel, de R$ 650. Contas de água e energia também estão atrasadas, pois, na família, só ele trabalha. “A faculdade da filha mais velha, de 18 anos, também está atrasada.”

Waltemir Ferreira, de 47 anos e funcionário da fabricante de refrigeradores há 25 anos, também foi transferido de São Paulo. Ele comprou uma casa em Hortolândia, mas o financiamento, pelo qual paga R$ 560 mensais, também está atrasado.

Trabalhando como auxiliar de almoxarifado, adquiriu vários problemas como bursite, tendinite e dores lombares. “Em 2001 fui demitido e, em janeiro de 2006, reintegrado por decisão judicial”, diz.

Segundo sindicalistas, as duas fábricas têm mais de 300 trabalhadores com estabilidade por serem portadores de doenças profissionais. A maioria já tinha problemas quando a Mabe adquiriu as empresas.

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