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''Não represento perigo para a sociedade''

Com câncer, empresária está na ala hospitalar da prisão

Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2009 | 00h00

Nos últimos tempos, a empresária Eliana Tranchesi já não ia mais à Daslu diariamente. Embora ainda tocasse o negócio, o seu braço direito, o filho Bernardino, é quem estava à frente do dia a dia da operação. Eliana se afastou da companhia para iniciar um tratamento de quimioterapia e radioterapia - no sábado passado, foi submetida a uma das sessões, segundo o oncologista do Hospital Albert Einstein, Sérgio Daniel Simon, que cuida do caso desde o começo deste mês. A empresária tem câncer no pulmão, com metástases na coluna.Por causa do seu estado de saúde, o médico recomendou prisão domiciliar para a empresária. "Devido ao uso de quimioterapia, a paciente tem alto risco de infecção generalizada, motivo pelo qual está recebendo medicação diária. Além disso, o uso de Avastin aumenta o risco de crises de hipertensão arterial e sangramento, e também necessitam de atenção médica continuada", escreveu o especialista em relatório divulgado à imprensa. A opinião técnica do médico embasou um dos pedidos de revogação da prisão, feito ontem pela advogada da empresária, Joyce Roysen. Amigos próximos dizem que, embora ela não se queixe, Eliana tem sofrido muito na atual fase da doença. A evolução do câncer para os ossos foi detectada em dezembro passado. Fortes dores na coluna fazem com que, muitas vezes, ela se sinta mais confortável dormindo no chão. No geral, ninguém quer comentar seu sofrimento em respeito ao comportamento discreto que sempre adotou em relação ao câncer, mesmo nunca tendo escondido a doença. Religiosa, a empresária é otimista com a saúde, dizem os amigos. A empresária foi presa em casa e levada da sede da Superintendência da PF, na Lapa, na zona oeste, para a Penitenciária Feminina da Capital (PFC), no complexo penitenciário do Carandiru, na zona norte. Ali, segundo a direção da unidade, ela foi colocada em leito da ala hospitalar a pedido de seus advogados. Eliana, no entanto, teve de vestir o uniforme igual ao das demais presidiária: camiseta branca e calça bege.BILHETEJá na prisão, a empresária escreveu um bilhete, divulgado pela sua advogada, dizendo que não via "sentido em estar presa novamente. Não represento perigo para a sociedade. Este processo começou há quase três anos. Minha vida foi revirada. Fui presa por um crime tributário cujas multas já haviam sido lavradas e estavam sendo pagas. Vocês acompanharam tudo e viram que enfrentamos muitos problemas, fechamos lojas, demitimos 500 funcionários, mas observaram também que as mesmas lojas estão sendo reabertas e muitas pessoas foram recontratadas." Ontem, na Daslu, não havia clima de surpresa. Segundo algumas vendedoras, a empresária já esperava que isso fosse acontecer, pois fazia parte do processo. O movimento estava aparentemente normal e os funcionários trabalhavam como se nada tivesse acontecido. Eliana foi vista pela última vez na loja na quarta-feira. COLABOROU MARILI RIBEIRO

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