Não sabemos onde o dólar vai parar, admite Mantega

'Haverá desvalorização do real e não vamos voltar a patamares que tínhamos antes', garante ministro

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

13 Outubro 2008 | 15h40

Não sabemos onde o dólar vai parar, reconheceu o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta segunda-feira, 13, durante evento em Washington. "Haverá desvalorização do real e não vamos voltar a patamares que tínhamos antes", afirmou.   Veja também: Plano europeu de socorro a bancos soma US$ 2,28 tri, diz 'FT' BC pré-disponibiliza R$ 100 bi em recursos de compulsórios Em meio à crise, empresas têm que pagar US$ 15 bi ao exterior Como o mundo reage à crise  Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira    Ele reconheceu que pode haver "pressão momentânea sobre a inflação", mas ponderou que o governo continua perseguindo (as metas da) política monetária para manter inflação "dentro dos trilhos que temos". "A inflação esta sob controle", completou.   O ministro se mostrou otimista em relação aos problemas mundiais de crédito, afirmando que "conseguiremos domar esta crise financeira". "A crise pode ser comparada à de 1929, mas será diferente. Não será uma crise parecida com a de 1929, pois a atuação dos governos é diferente. Não cometeremos os mesmos erros cometidos naquela época, cometeremos novos. É sempre bom cometer erros novos", disse, em evento organizado pela Câmara de Comércio Brasil-EUA.   Mantega acrescentou que a crise atual também é diferente da dos anos 1990, "que regional, não estava localizada no centro do sistema. Agora, a crise se dá no epicentro do sistema financeiro, não é crise de bilhões, mas de trilhões. Mudou a magnitude da crise". O ministro observou que é uma crise sistêmica e "ninguém escapa".   Superávit primário   Contrariando o que, segundo ele, o que dizem alguns jornais, o ministro afirmou que "vamos fazer meta superávit primário de 4,3% em 2009". A disposição da Fazenda é fazer em 2009 o que foi feito em 2008. O objetivo é chegar em 2010 com resultado fiscal favorável. "No mínimo, zerar (o déficit nominal) em 2010 e fazer algum superávit", disse, durante evento em Washington.   Mantega acredita que não "vai haver grandes perdas de arrecadação, mas não vai crescer a 18%, como em 2008". Ele afirmou que "o gasto combinado com investimento cresce a 11%". Isto significa, continuou Mantega, que "cresce menos que arrecadação". "Se arrecadação cair para 15% ou 14% ainda é situação favorável", afirmou.   "O presidente Lula é muito sensível, conhece economia mais do que vocês imaginam. Procuramos manter programas sociais, mas cortar onde podemos cortar. Não vou anunciar (onde), mas vamos esperar qual cenário vai se estabelecer (para avaliar onde os cortes serão aplicados)", acrescentou.   Reservas   Desde o início da disparada do dólar em razão da crise, o Banco Central vem tomando medidas para conter a cotação da moeda norte-americana. Essas medidas incluem a venda direta de dólares no mercado, utilizando recursos das reservas internacionais do País. Com isso, as reservas caíram US$ 1,448 bilhão na sexta-feira, dia 10, para US$ 204,879 bilhões no conceito de liquidez internacional. A redução reflete a venda direta de dólares realizada pela própria autoridade monetária em 8 de outubro.

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